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chamas…

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“A vida é um incêndio:

nela dançamos salamandras mágicas.

Que importa restarem cinzas

se a chama foi bela e alta?

em meio aos toros que desabam,

Cantemos a canção das chamas!!

Cantemos a canção da vida,

na própria luz consumida…”


(Mario Quintana)

vem chegando a primavera…

primavera

“Quando a primavera chegava, mesmo que se tratasse de uma falsa primavera, nossos problemas desapareciam, exceto o de saber onde se poderia ser mais feliz. A única coisa capaz de nos estragar um dia eram pessoas, mas se se pudesse evitar encontros, os dias não tinham limites. As pessoas eram sempre limitadoras da felicidade, exceto aquelas poucas que eram tão boas quanto a própria primavera.”

Ernest Hemingway, em “Paris é uma Festa

Pablo Picasso…

pablo-picasso-Reading-1932Pablo Picasso [ Woman Reading ] 1932

“Desperta teus sentidos
para que não percas
tudo de belo e formoso
que te cercas.
Apaga a cinza de tua vida
e acenda as cores
que carrega dentro de ti.”
(Pablo Picasso)

Reflexo…

reflexo

“Se sou amado,

quanto mais amado

mais correspondo ao amor.

Se sou esquecido,

devo esquecer também,

pois amor é feito espelho: tem que ter reflexo!”

Pablo Neruda

love

Show me, show me, show me
How you do that trick
“The one that makes me scream,” she said
“The one that makes me laugh,” she said
And threw her arms around my neck
Show me how you do it
And I promise you, I promise that
I’ll run away with you
I’ll run away with you

Spinning on that dizzy edge
I kissed her face, I kissed her head
And dreamed of all the different ways
I had to make her glow
“Why are you so far away,” she said
“Why won’t you ever know that I’m in love with you,
That I’m in love with you?”

You… soft and only
You… lost and lonely
You… strange as angels
Dancing in the deepest oceans
Twisting in the water, you’re just like a dream
Just like I have a dream

Daylight whipped me into shape
I must have been asleep for days
And moving lips to breathe her name
I open up my eyes
I find myself alone, alone, alone
Above a raging sea
That stole the only girl I loved
And drowned her deep inside of me.

You… soft and only
You… lost and lonely
You… just like heaven

Just Like heaven – The Cure

Sê…

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“Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso…
Mas sê o melhor no que quer que sejas.”

Pablo Neruda

Quero-te…

Quero-te como quero em todas as manhãs
O vento frio penetrando em meu quarto
E despertando-me em sensação de saudade.
Quero-te como quero um jardim constante
Exalando do meus poros
O odor da vida e da perpetuidade.
Quero-te como o impossível preso em minhas mãos
Para fazer de ti o motivo eterno de meus sonhos.
Quero-te como quem quer somente pra si,
O abraço maior de todas as emoções
Quero-te, assim, acordando-me sempre
Deste meu sonho em sua breve chegada.

*Gilberto Vaz de Melo*

Sobre a distância…

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Há muito tempo, Rae Hansen, uma menina às vésperas de seus cinco anos, convida o amigo Richard Bach para sua festa de aniversário. Confiante, ela o espera, apesar de saber que sua casa ficava além dos desertos, tempestades e montanhas…
Como Richard Bach chega até lá e o presente que ele lhe dá são narrados nessa história mágica.
Este clássico continua a inspirar as relações de amizade que não mais dependem de tempo nem espaço. Quem já voou nas asas da gaivota encontrará aqui muitos pensamentos para compartilhar “até que finalmente acabará descobrindo que não precisa do anel nem de pássaro para voar sozinho acima da quietude das nuvens” e “que as únicas coisas que importam são as feitas de verdade e alegria”.

Segue abaixo
um resumo dessa história…
“- Rae! Obrigado por me convidar para a sua festa de aniversário!”
Sua casa fica a mil quilômetros da minha e viajo apenas pela melhor das razões. E uma festa para Rae é a melhor e estou ansioso para estar ao seu lado.
Começo a viagem no coração do Beija-Flor, que há tanto tempo você e eu conhecemos. Ele se mostrou amigo como sempre, mas ficou espantado quando lhe disse que a pequena Rae estava crescendo e que eu estava indo à sua festa de aniversário, levando um presente.
Voamos algum tempo em silêncio, até que finalmente ele disse:
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é o fato de estar “indo” a uma festa.
- Claro que estou indo à festa. – respondi. – O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Ele ficou calado e só voltou a falar quando chegamos à casa da coruja:
- Podem os quilômetros separar-nos realmente dos amigos? Se quer estar com Rae, já não está lá?
- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. – falei para a coruja. Parecia estranho dizer “indo” depois da conversa com Beija-Flor, mas falei assim mesmo para que Coruja compreendesse.
Ela voou em silêncio pôr um longo tempo.
Era um silêncio amistoso, mas Coruja disse ao me deixar em segurança na casa da águia:
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é ter chamado sua amiga de “pequena”.
- Claro que ela é pequena, porque não é crescida – respondi. – O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Coruja fitou-me com os olhos profundos, cor de âmbar, sorriu e disse:
- Pense a respeito.
- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. – falei para águia. Parecia estranho falar agora “indo” e “pequena”, depois das conversas com Beija-Flor e Coruja, mas falei assim mesmo para que águia compreendesse.
Voamos juntos sobre as montanhas, subindo nos ventos das montanhas.
E águia finalmente disse :
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é essa palavra “aniversário”.
- Claro que é aniversário. – respondi. – Vamos comemorar a hora que Rae começou e antes da qual ela não era. O que há de tão difícil de se compreender nisso?
águia curvou as asas para a descida e foi pousar suavemente sobre a areia do deserto.
- Um tempo antes de Rae começar? Não acha que é mais a vida de Rae que começou antes que o tempo existisse?
- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. – falei para Gavião. Parecia estranho falar “indo”, “pequena” e “aniversário”, depois das conversas com Beija-Flor, Coruja e águia, mas falei assim mesmo para que Gavião compreendesse.
O deserto se estendia interminavelmente lá embaixo e ele finalmente disse:
- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é “crescendo”.
- Claro que ela está crescendo – respondi. – Rae está mais perto de ser adulta, mais longe de ser criança. O que há de tão difícil de se compreender nisso?
Gavião pousou finalmente numa praia deserta.
- Mais um ano longe de ser criança? Isso não me parece ser o mesmo que crescer.
E Gavião alçou vôo e foi embora.
Eu conhecia o bom senso de Gaivota. Voamos juntos, pensei com muito cuidado e escolhi as palavras, a fim de que, ao falar, Gaivota soubesse que eu estava aprendendo:
- Gaivota, por que está me levando a voar para ver Rae, quando na verdade sabe que estou com ela?
Gaivota sobrevoou o mar, as colinas, as ruas e pousou suavemente em seu telhado e disse:
- Porque o importante é você saber a verdade. Até saber, até realmente compreender, só pode demonstrá-la em coisas menores, com ajuda externa, de máquinas e pessoas e pássaros. Mas deve se lembrar sempre que não saber não impede a verdade de ser verdadeira.
E Gaivota se foi.
E agora é chegado o momento de abrir o seu presente. Presentes de lata e vidro amassam e quebram num dia, somem para sempre. Mas eu tenho um presente melhor para você.
é um anel para você usar. Cintila com uma luz especial e não pode ser tirado por ninguém, não pode ser destruído. Somente você, no mundo inteiro, pode ver o anel que lhe dou hoje, como fui o único que pude vê-lo quando era meu.
O anel lhe dá um novo poder. Usando-o, você pode alçar vôo nas asas de todos os pássaros que voam.
Pode ver através dos olhos dourados deles, pode tocar o vento que passa pôr suas penas macias, pode conhecer a alegria de se elevar muito acima do mundo e suas preocupações. Pode permanecer no céu pôr tanto tempo quanto quiser, através da noite, pelo descer do sol; e quando sentir vontade de outra vez descer, suas perguntas terão respostas, suas preocupações terão acabado.
Como tudo o que não pode ser tocado com a mão nem visto com o olho, seu presente se torna mais forte à medida que o usa.
A princípio, pode usá-lo apenas quando está fora de casa, contemplando o pássaro com quem você voa.
Mais tarde, porém, se usá-lo bem, vai funcionar com pássaros que não pode ver, até que finalmente acabará descobrindo que não precisa do anel nem de pássaro para voar sozinho acima da quietude das nuvens.
E quando esse dia chegar, deve dar seu presente a alguém que saiba que irá usá-lo bem, alguém que possa aprender que as coisas que importam são as feitas de verdade e alegria, não as de lata e vidro.
Rae, este é o último dia especial de comemoração a cada ano que estarei com você, tendo aprendido com os nossos amigos, os pássaros.
Não posso ir ao seu encontro porque já estou com você.
Você não é pequena porque já é crescida, brincando entre suas vidas como todos fazemos, pelo prazer de viver.
Você não tem aniversário porque sempre viveu; nunca jamais haverá de morrer. Não é a filha das pessoas a quem chama de mãe e pai, mas a companheira de aventuras delas na jornada maravilhosa para compreender as coisas que são.
Cada presente de um amigo é um desejo de felicidade.
é o caso do anel.
Voe livre e feliz além de aniversários e através do sempre. Haveremos de nos encontrar outra vez, sempre que desejarmos, no meio da única comemoração que não pode jamais terminar.

- Richard Bach, em “Longe é um lugar que não existe”.

Dia chuvoso…

dia chuvoso

“Há dias em que a melancolia chove dentro de nós como num pátio
interior, atapetado de jornais velhos. Não se ouve, não se sente – mas rebrilha na sujidade densa. Eu estava num desses dias quando afastei a cortina e olhei pela janela a tarde que se ofuscara de repente, com pressa de se evadir da atmosfera enfastiada e, sobretudo, de um cenário sem alegria

(…) Mas em fechando a cortina tudo isso desaparecia: eis-me de novo isolado no gabinete fofo, de paredes que, a partir de certo momento, me davam a sensação irrespirável de uma espessura acolchoada onde tudo ficava retido: a fadiga, o silêncio.”

Fernando Namora, em “Retalhos da Vida de Um Médico”

Você…

dos amores

“Dos amores que eu tive
só você conseguiu se tornar
aquela coisa querida, sonhada, esperada
que não queria chegar

dos amores que eu tive
só você conseguiu preencher
certos vazios que eu tinha
de umas simples coisinhas
que um grande amor deve ter

em você encontrei a verdade
de um amor sem vaidade
de um amor sem paixão
encontrei em você neste mundo
algo belo e profundo
para o meu coração

não duvide, meu bem
deste amor que lhe dou

acredite, meu bem
pois o tempo parou
pra me dar a certeza
da paz da beleza
de amar a você

dos amores que eu tive na vida
só você, querida
tem razão de ser”

Gilberto Gil

misterio_mar

“A verdade de outra pessoa não está no que ela te revela, mas naquilo que não pode revelar-te. Portanto, se quiseres compreendê-la, não escute o que ela diz, mas antes, o que ela não diz”.

Kahlil Gibran

Para o dia dos namorados

Trouble

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, de lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiriu, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira; basta um olhar de compreensão ou mesmo aflição. Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, e dois amantes, mesmo assim não pode ter namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou largatixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos de amor com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilo e medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galantearia. Se você não tem namorado porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida passar e de repente parecer que tudo faz sentido: Enlou-creça

Carlos Drumond de Andrade

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“Eu sou o oceano
atlético e atlântico
pacífico e romântico (…)

Sou índico infinito
indicado pro amor.
Eu sei, eu sal, eu sou”

Gabriel o Pensador, no livro “Diário noturno”

Afeições…

anos

“O amor não é cego.
Vê sempre as pessoas queridas tais quais são e as conhece,
na intimidade,
mais do que os outros.

Exatamente por dedicar-lhes imenso carinho,
recusa-se a registrar-lhes os possíveis defeitos,
porquanto sabe amá-las
mesmo assim.”

Emmanuel

Destino…

esquina

“O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.”

Carlos Ruiz Zafón em “A Sombra do Vento”

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Um dia abri um livro e toda a minha vida mudou.
Desde a primeira página, sofri com tanta força o poder do livro
que senti o meu corpo apartado da cadeira e da mesa a que me sentava.

Orhan Pamuk, em “A Vida Nova”

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Esta formação rochosa parece pintura, mas é obra de milhões de
anos de erosão e sedimentação nas dunas do Arizona, publicada pelo site ‘chilloutpoint.com’.

Dia sagrado…

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Oh Heavenly day
All the clouds blew away
Got no trouble today
With anyone

The smile on your face
I live only to see
It’s enough for me baby
It’s enough for me
Oh heavenly day
Heavenly day
Heavenly day

Tomorrow may rain with sorrow
Here’s a little time we can borrow
Forget all our troubles in these moments so few
Oh we can right now the only thing that all that we really have to do
Is have ourselves a heavenly day
Lay here and watch the trees sway
Oh can’t see no other way
No way
No way
Heavenly day heavenly day heavenly day

No one on my shoulder
Bringing me fears
Got no clouds up above me
Bringing me tears
Got nothing to tell you
I got nothing much to say
Only I’m glad to be here with you
On this heavenly heavenly heavenly heavenly heavenly day
Oh all the troubles gone away
Oh for awhile anyway
For awhile anyway
Oh heavenly day

Heavenly Day – Patty Griffin

Ama, sempre…

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Não te canses de amar.

É possível que a resposta do amor não te chegue imediatamente. Talvez te causem surpresa as reações que propicia. É possível que as haja desencorajadoras.

Sucede que, desacostumadas aos sentimentos puros, as pessoas reagem por mecanismos de autodefesa.

Insistindo, porém, conseguirás demonstrar a excelência desse sentimento sem limite e mimetizarás aqueles a quem amas, recebendo de volta a bênção de que se reveste.

Ama, portanto, sempre.

Joanna de Ângellis, no livro Vida Feliz

Perfume…

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“Há uma força persuasiva no perfume que é mais convincente do que as palavras, do que a aparência visual, do que o sentimento e a vontade.

A força do perfume é irresistível, penetra dentro de nós como o ar nos pulmões, enche-nos de tal forma e tão completamente, que não existe nenhuma forma de defesa contra ela!”

*

Perfume, Patrick Süskind

sonho

“De sonhar ninguém se cansa, 

porque sonhar é esquecer, 

e esquecer não pesa 

e é um sono sem sonhos em que estamos despertos.” 

*

- Fernando Pessoa - 

 Livro do Desassossego

Sempre aqui…

“Na hora de pôr a mesa, éramos cinco: o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu. Depois, a minha irmã mais velha casou-se. Depois a minha irmã mais nova casou-se. Depois o meu pai morreu. Hoje, na hora de pôr a mesa, somos cinco ,menos a minha irmã mais velha que está na casa dela, menos a minha irmã mais nova que está na casa dela, menos o meu pai, menos a minha mãe viúva. Cada um deles é um lugar vazio nesta mesa onde como sozinho. Mas, irão estar sempre aqui. Na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco. Enquanto um de nós estiver vivo, seremos sempre cinco.”

José Luís Peixoto em  “A criança em ruínas”

Ano Novo…

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“O objetivo de um ano novo
não é que nós deveríamos ter um ano novo.
É que nós deveríamos ter uma alma nova.”
(Gilbert Keith Chesterton)

Ambicione ser Feliz!

“Quando você estiver no meio da multidão, quando errar, fracassar e
ninguém o compreender, quando as lágrimas que nunca teve coragem de chorar
escorrerem silenciosamente pelo seu rosto e você sentir que não tem mais
forças para continuar sua jornada, não se desespere!
Pare! Faça uma pausa na sua vida! Não dispare o gatilho da
agressividade e do auto-abandono! Enfrente o seu medo! Faça do seu medo
alimento para sua força. Destrave a sua inteligência, abra as janelas da sua
mente, areje o seu espírito! Não seja um técnico na vida, mas um pequeno
aprendiz. Permita-se ver ensinado pelos outros, aprenda lições dos seus
erros e dificuldades. Liberte-se do cárcere da emoção e dos pensamentos
negativos. Jamais se psicoadapte à sua miséria.
Lembre-se do Mestre da Vida! Ele nos convidou a sermos livres mesmo
diante das turbulências, perdas e fracassos, mesmo sem haver nenhum motivo
aparente para nos alegrarmos. Tenha a mais legítima de todas as ambições:
Ambicione ser FELIZ! Sua emoção vai lhe agradecer”.

Extraído do Livro O Mestre da Vida Jesus, o maior semeador de alegria,
liberdade e esperança – Augusto Cury

Quero!!!

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Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

 

* Poema de Carlos Drumond  de Andrade

Caminho…

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“Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar

para atravessar o rio da vida. Ninguém, exceto tu, só tu.

Existem, por certo, atalhos sem número, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio, mas isso te custaria a tua própria
pessoa: tu te
hipotecarias e te perderias. 
Existe no mundo um único caminho por onde
só tu podes passar. 
Aonde leva? Não perguntes, siga-o!”

Friedrich Nietzsche

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“O amor é esse voejar incerto por um céu de fragilidades errantes. Nunca se sabe onde há mais horizonte aleatório, nem onde existe força para voar no espaço vacilante. Apenas se sente a liberdade de estar preso, e não ser capaz nem querer romper as cadeias de tudo e nada.”

(…)

“Há vidas que duram um momento. E momentos longos como uma vida.

E vidas que o são para sempre. Mesmo depois de mortas. “

Luís Rosa no livro “O amor infinito de Pedro e Inês”

Um conto de Dostoiewski

Como sou um romancista, parece que estou imaginando uma história. Digo parece – e sei perfeitamente que imaginei mesmo; mas tenho certeza de que isso aconteceu, não sei onde nem há quanto tempo; e aconteceu justamente na véspera de Natal, nalguma cidade imensa, num dia de frio assassino.
Era uma vez uma criança num porão, um menino de seis anos, ou menos ainda. O pobrezinho acabava de acordar, tremendo de frio sob os farrapos que o cobriam. Quando respirava, uma baforada branca lhe saía pela boca, e ele, sentado no canto da sala, começou a soprar de propósito, para ver a nuvem se mexer. Isso o distraía, mas preferiria comer. Aproximou-se várias vezes do velho colchão de capim, duro e seco como pão de pobre, onde repousava sua mãe doente, com um saco velho como travesseiro. Como ela viera parar ali? Teria de certo chegado de outra cidade e adoecido. A mulher que lhe alugara o porão havia sido presa há dois dias; os outros inquilinos, saído para festejar o Natal. O único que ficara, um trapeiro, há dois dias curtia a bebedeira com que celebrara de antemão o nascimento de Cristo. No outro canto da sala gemia uma octogenária, antiga pajem de crianças, que morria abandonada; não parava de gemer e se lamentar, praguejando contra o garoto, que não ousava aproximar-se. Ele já tentara acordar a mãe várias vezes e no corredor achara bebida, mas nada para comer. A obscuridade aumentava e ninguém vinha acender o fogo. Apalpou o rosto da mãe e ficou surpreso: estava gelada e rígida como uma estátua. “Está fazendo frio”, pensou com a mão apoiada no ombro da mãe inerte e assoprou o bafo sobre os dedos para aquecê-los. Pegou então o boné e, evitando fazer barulho, saiu tateando na escuridão, pensando apenas no enorme cachorro que ouvira latir o dia todo, até chegar à rua.
Senhor, que grande cidade! Nunca vira nada assim. Onde ele morava as ruas eram escuras, iluminadas por poucos lampiões e as casas de madeira, baixinhas, ficavam todas fechadas; apenas a noite caía não se encontrava mais viva alma, todos ficavam calafetados dentro de casa e só os cachorros, centenas deles, ganiam ao relento. Mas podiam aquecer-se, davam-lhe de comer… enquanto aqui… Meu Deus! Não acharia nada para comer? E que algazarra, que agitação, que claridade, quanta gente, quantos cavalos e carros… e o frio, que frio! A neblina congela em filetes nas narinas dos cavalos que galopam, com as ferraduras batendo forte nas pedras das ruas, por sobre a neve. Os passantes esbarram um nos outros, empurram-se e – Deus do céu – como lhe dói o estômago vazio e os dedinhos expostos ao frio! Um guarda passa junto dele e se vira para fingir que não o via.
Ainda uma rua: como é larga! Não há dúvida que vai ser esmagado. Todo mundo corre, grita, vai e vem. E a claridade, coisa linda! E o que é isso? Ah! Uma grande vidraça, e por detrás dela um quarto com uma árvore que alcança o teto: é um pinheiro, uma árvore de Natal cheia de luzes e miniaturas de bonecas e cavalinhos. Ali correm crianças bem vestidas que riem, brincam, comem e bebem. Uma menina dança com um menino. Como ela é bonita! Ouve-se uma música através da vidraça. O pequeno olha tudo com espanto e feliz, mesmo lhe doendo os dedos das mãos e dos pés, vermelhos e rígidos. Então ele começa a chorar, as dores aumentam e ele corre para outra vidraça, na qual vê outra árvore enfeitada e ainda mesas cobertas de bolos de todos os tipos, de amêndoas, amarelos, vermelhos, que ricas senhoras distribuem aos convidados. A cada instante a porta se abre para receber homens bem vestidos. Ele caminha para a porta e entra para a sala. Então o expulsam, indignados, aos gritos e gestos agressivos. Uma senhora mete-lhe uma moeda na mão enquanto o empurra para a rua. Que medo! A moeda rola pela escada tilintando pois não conseguira segurá-la, com os dedos imobilizados. Ele se põe a caminhar sem destino, com vontade de chorar e depois corre, soprando o bafo nos dedos. Ao sentir-se tão só e abandonado, deprimido, chora. Mas logo se distrai: Senhor, que será? Quanta gente curiosa, parada, olhando atentamente! Através da vidraça, três bonecos em tamanho natural, vestidos de vermelho e verde, parecem vivos. Sentado, um velho toca violino e os outros dois, de pé, tocam violinos menores, todos meneiam as cabeças em cadência, olham entre si, mexem os lábios e devem falar de verdade, só não se ouve por causa do vidro. O menino pensou até que eram pessoas vivas e se pôs a rir quando percebeu que eram bonecos. Nunca vira bonecos assim, nem de ouvir falar. Eram tão engraçados que calaram o seu pranto.
Mas de repente, alguém o puxou por trás. Era um menino grande e ruim que lhe deu um soco na cabeça, fazendo cair o seu boné. Ele rolou pelo chão e algumas pessoas começaram a gritar. Apavorado levantou-se e correu sem saber para onde. Entrou num porão, que dava num pátio e sentou-se atrás de um monte de lenha. “Ao menos aqui ele não vai me encontrar, está escuro demais.”
Encolheu-se todo, sem poder recobrar o fôlego, tanto medo tinha. Subitamente, porque tudo passou num instante, invadiu-o um grande bem estar, as mãos e os pés pararam de doer, e sentiu calor, muito calor, como se estivesse junto de um fogão. Ajeitou-se e logo dormiu. Como era bom dormir ali. “Daqui a pouco vou ver de novo os bonecos”, pensou, sorrindo só de lembrar; “poderia jurar que estavam vivos!” Subitamente pareceu-lhe ouvir sua mãe cantar uma antiga canção. “Mamãe, vou dormir. Ah! Como é bom dormir aqui!”
- Vem comigo, vamos ver a Árvore de Natal, meu filho – murmurou uma voz de rara doçura.
Julgou que fosse sua mãe, mas não é ela. Quem então o chamava? Não vê ninguém, mas alguém se abaixou sobre ele, abraçou-o no escuro. Ele estendeu os braços e… de repente – ah! Como tudo ficou resplandescente! Que maravilhosas árvores de Natal! Mas não é um pinheiro, nunca viu árvore assim. Onde estava? Tudo brilha, tudo reluz, e em toda parte vê bonecas – não, não são bonecas, são meninos e meninas, apenas são luminosas. Envolvem-no, fazem roda em torno dele, beijam-no de passagem, seguram-no, levam-no voando; também ele voa e vê sua mãe e lhe sorri:
- Mamãe! Mamãe! Ah! Como está bom aqui!
Abraça os novos companheiros; queria tanto contar-lhes a história dos bonecos detrás da vidraça… Pergunta-lhes quem são, onde estão, rindo e atirando beijos.
- Não sabes? Esta é a Árvore de Natal do Cristo – responderam-lhe. – Todos os anos, neste dia, há uma árvore assim, que Jesus dá às crianças que não tiveram árvores de Natal na terra…
E soube que todas aquelas crianças haviam sido iguais a ele, mas uns morreram gelados nos cestos em que abandonaram nas portas dos palácios de Petersburgo, outros morreram nos asilos das províncias, ou no próprio seio das mães, durante a fome de Samara, ou asfixiados pelo ar contaminado dos cortiços. Mas agora vivem todos como anjos, com o Cristo, e ele os abençoa, num gesto de ternura que se estende às suas pobres mães… Ei-las todas, ao longe, chorando, olhando para os filhos que passam esvoaçando junto delas, beijam-nas de leve, enxugam-lhes as lágrimas pedindo-lhes que não chorem, pois se acham tão bem…
E lá embaixo, na manhã seguinte, os porteiros descobriram o cadáver de um menino gelado perto de um monte de lenha. Procuraram sua mãe… ela morrera um pouco antes dele. Talvez os dois se tenham encontrado no céu…
Por que terei eu imaginado uma história tão pouco razoável, tão pouco nos moldes de escritor sério! E dizer que eu me propunha a contar fatos reais! Mas a questão é justamente essa, sempre me pareceu que tudo isso poderia acontecer, isto é, a parte do porão e do monte de lenha. Quanto à árvore de Natal de Cristo, não poderei afirmar que exista.
Mas, como sou romancista, posso bem imaginar que sim.

(A ÁRVORE DE NATAL DE CRISTO – Fiodor Dostoiewski)

Fiodor Mikhailovitch Dostoiewski nasceu em Moscou em 1821, filho de médico do Hospital dos Pobres e formou-se pela Escola de Engenharia Militar. Ainda jovem alcançou grande projeção nos meios literários. Foi preso e condenado à morte por conspiração anti-monarquista e teve a pena comutada para exílio na Sibéria, com trabalhos forçados, por cerca de cinco anos. Doente e viciado em jogo teve vida conturbada, mas sempre inspirou-se nas próprias desgraças para escrever suas obras. Sua influência sobre a literatura universal do século XX foi avassaladora; sem ele as pesquisas de Nietzche e Freud não teriam a mesma profundidade. Faleceu em São Petersburgo em 1881.

Obras mais conhecidas:
- Os Pobres Diabos
- O Sósia
- A Hospedeira
- Ninotchka
- Recordação da Casa dos Mortos
- O Jogador
- O Idiota
- Os Demônios
- Os Irmãos Karamazov
- Crime e Castigo

Contigo aprendi…

“Contigo aprendi coisas tão simples como
a forma de convívio com o meu cabelo ralo
e a diversa cor que há nos olhos das pessoas
Só tu me acompanhastes súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo
Contigo fui cruel no dia a dia
mais que mulher tu és já a minha única viúva
Não posso dar-te mais do te dou
este molhado olhar de homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente”

Ruy Belo

Verdadeiro…

 “Alma
gêmea de minha alma…
flor de luz de minha vida….
Sublime estrela caída…
das belezas da amplidão
Quando eu errava no mundo…
triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarzinho,
E encheste-me o coração….
Vinhas na bênção das flores
Da divina claridade,
Tecer-me a felicidade
Em sorrisos de esplendor!!!
És meu tesouro infinito,
Juro-te eterna aliança,
Porque sou tua esperança,
Como és todo meu amor!
Alma gêmea de minha alma,
Se eu te perder algum dia…
Serei tua escura agonia,
Da saudade nos seus véus…
Se um dia me abandonares,
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te, entre as flores
Da claridade dos céus.”

Emmanuel

Segredo…

“Guardei-me para ti como um segredo
Que eu mesma não desvendei:
Há notas nesta guitarra que não toquei,
Há praias na minha ilha que nem andei.

É preciso que me tomes, além do riso e do olhar,
Naquilo que não conheço e adivinhei;
É preciso que me ensines a canção do que serei
E me cries com teu gesto
Que nem sonhei.”

Guardei-me para ti – Lya Luft

Melhor livro de romance
O filho eterno / Cristovão Tezza / Editora Record
O sol se põe em São Paulo / Bernardo Teixeira de Carvalho / Companhia das Letras
Antonio / Beatriz Bracher / Editora 34
Melhor livro de poesia
O outro lado / Ivan Junqueira / Editora Record
O xadrez e as palavras / Marcus Vinicius Teixeira Quiroga Pereira / Marcus Vinicius Teixeira Quiroga Pereira
Tarde / Paulo Fernando Henriques Britto / Companhia das Letras
Melhor livro de contos e crônicas
Histórias do Rio Negro / Vera do Val / Editora Martins Fontes
A prenda de seu Damaso e outros contos / Jorge Eduardo Pinto Hausen / Jorge Eduardo Pinto Hausen
Fichas de vitrola / Jaime Prado Gouvêa / Editora Record
Melhor livro de reportagem
1808 / Laurentino Gomes / Editora Planeta do Brasil
O massacre / Eric Nepomuceno / Editora Planeta do Brasil
Bar bodega: um crime de imprensa / Carlos Dorneles / Editora Globo
Melhor livro de biografia
Rubem Braga: um cigano fazendeiro do ar / Marco Antonio de Carvalho / Editora Globo
D. Pedro II / José Murilo de Carvalho / Companhia das Letras
O texto ou a vida / Moacyr Scliar / Bertrand Brasil
Melhor livro infantil
Sei por ouvir dizer / Bartolomeu Campos de Queirós / Edelbra
O menino que vendia palavras / Ignácio de Loyola Brandão / Objetiva
Zubair e os labirintos / Jose Roger Soares de Mello / Companhia das Letras
Melhor livro juvenil
O barbeiro e o judeu da prestação contra o sargento da motocicleta / Joel Rufino dos Santos / Editora Moderna
Tão longe…tão perto / Silvana de Menezes / Editora Iê
Mestres da paixão – aprendendo com quem ama o que faz / Domingos Pellegrini / Editora Moderna
Melhor livro de ciências exatas, tecnologia e informática
Introdução à engenharia de produção / Mario Otavio Batalha / Elsevier Editora
Enciclopédia de automática – controle & automação – vol. 1 / Luis Antonio Aguirre / Editora Edgard Blücher
Introdução ao teste de software / Marcio Eduardo Delamaro, José Carlos Maldonado, Mario Jino / Elsevier Editora
Melhor livro de ciências humanas
Mulheres negras do Brasil / Schuma schumaher; Érico Vital Brazil / Senac Rio
Os japoneses / Célia Sakurai / Editora Contexto
História de Minas Gerais – as minas setecentistas – vol. 1 e vol. 2 / Maria Efigênia Lage de Resende e Luiz Carlos Villalta / Autêntica Editora
Melhor livro de ciências naturais e ciências da saúde
Estomatologia-bases do diagnóstico para o clínico geral 1 / Dr. Sergio Kignel / Livraria Santos Editora Comércio e Importação
Dimensões humanas da biosfera-atmosfera da Amazônia / Wanderley Messias da Costa; Bertha K. Becker; Diogenes Salas Alves (orgs.) Editora da Universidade de São Paulo
Por que o bocejo é contagioso?: e outras curiosidades da neurociência no cotidiano / Suzana Herculano-houzel / Jorge Zahar Editor
Melhor livro de direito
Curso de direito tributário e finanças públicas – do fato à norma, da realidade ao conceito jurídico / Eurico Marcos Diniz de Santi / Saraiva S/A Livreiros Editores
Teoria geral dos direitos fundamentais / Dimitri Dimoulis e Leonardo Martins / Editora Revista dos Tribunais
Curso de direito constitucional / Gilmar Ferreira Mendes / Saraiva S/A Livreiros Editores
Melhor livro de arquitetura e urbanismo, fotografia, comunicação e artes
Noticiário geral da photographia paulistana: 1839-1900 / Paulo Cezar Alves Goulart e Ricardo Mendes
Imprensa Oficial do Estado De São Paulo
Rua do lavradio / Eliane Canedo de Freitas Pinheiro / Andrea Jakobsson Estúdio Editorial
Caixa Tunga / Tunga / Cosac Naify
Melhor livro didático e paradidático de ensino fundamental ou médio
O alienista (graphic novel) / Fábio Moon e Gabriel Ba / Agir Editora
Coleção história em projetos – 4 volumes / Conceição Oliveira e Carla Miucci /
Editora Ática
Série (en)cantos do Brasil (caminho das pedras; no coração da Amazônia; faces do sertão) / Shirley Souza, Manuel Filho, Luís Fernando Pereira / Shirley Souza
Melhor tradução
Hipólito e fedra – três tragédias / Joaquim Brasil Fontes / Editora Iluminuras
Beowulf / Erick Ramalho / Tessitura Editora Assessoria e Consultoria
Agamêmnon / Trajano Vieira / Editora Perspectiva
Melhor livro de economia, administração e negócios
Crescimento econômico e distribuição de renda. Prioridades para a ação
Jacques marcovitch (org.) / Editora da Universidade de São Paulo
Os desafios da sustentabilidade / Fernando Almeida / Elsevier Editora
E-desenvolvimento no brasil e no mundo: subsídios e programa e-brasil / Peter Titcomb Knight / Yendis Editora
Melhor livro de teoria/crítica literária
Proust: a violência sutil do riso / Leda Tenório da Motta / Editora Perspectiva
A formação do romance inglês: ensaios teóricos / Sandra Guardini Vasconcelos / Aderaldo & Rothschild Editores
Riso e melancolia / Sergio Paulo Rouanet / Companhia das Letras
Melhor livro de educação, psicologia e psicanálise
História das idéias pedagógicas no Brasil / Dermeval Saviani / Editora Autores Associados
Religião, psicopatologia e saúde mental / Paulo Dalgalarrondo / Artmed Editora
Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil / Renata Meirelles / Editora Terceiro Nome
Melhor ilustração de livro infantil ou juvenil
Toda criança gosta…/ Mariana Massarani / Manati Produções Editoriais
João felizardo – o rei dos negócios / Angela-Lago / Cosac Naify
Poeminha em língua de brincar / Martha Barros / Editora Record
Melhor projeto gráfico
As moedas contam a história do Brasil / Marcelo Aflalo / Magma Cultural e Editora
Roteiro prático de cartografia: da América Portuguesa ao Brasil Império / New Design – Angela Dourado e Bernardo Lessa / Editora UFMG
A fera na selva / Luciana Facchini / Cosac Naify
Melhor capa
Ensaios sobre o medo / Moema Cavalcanti / Editora Senac São Paulo Co-Edição: Edições Sesc São Paulo
Alexandre Herchcovitch (coleção moda brasileira – vol. 1) / Elaine Ramos / Cosac Naify
As moedas contam a História Do Brasil / Marcelo Aflalo / Magma Cultural e Editora Ltda

* O Premio Jabuti é realizado pela Câmara Brasileira do Livro

Fonte: www.premiojabuti.com.br

Sobre a incompletude…

“A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito.

Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.

 

Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas
.”

 

Manoel de Barros

Voa…

 

Voa, que há liberdade,
Voa por inteiro,
escuta tua vontade,
Voa em devaneio,
abandona a sanidade,
Voa o vôo do nobre anseio,
e retorna quando der saudade…

Rafael Vecchio

Crianças…


“E uma mulher que acalentava um bebê disse,
- Fale-nos de Crianças…
E ele disse:
- Tuas crianças não são tuas crianças.
Elas são os filhos da Vida que anseia por si.
Elas vieram através de ti mas não de ti,
E a despeito de estarem contigo elas não te pertencem.
Tu podes dar-lhes teu amor mas não teus pensamentos,
Pois elas têm seus próprios pensamentos.
Tu podes hospedar seus corpos mas não sua almas,
Pois suas almas habitam a casa do amanhã,
que tu não podes visitar, mesmo em teus sonhos.
Tu podes empenhar-te para seres como elas, mas não tentes
fazê-las serem como tu,
Pois a vida não caminha para trás nem coabita com o Ontem.
Tu és o arco do qual tuas crianças,
como flechas vivas, são impulsionadas.
Arqueiro vede a marca sobre a trajetória do Infinito,
a Ele te dobra com Seu Poder para que tuas flechas
sigam velozes e para longe.
Deixes que a flexão na mão do arqueiro seja para o
contentamento e a felicidade;
Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
Ele ama também o arco que seja firme”

Khalil Gibran, no livro O Profeta – 1923

Mudança…

“Meu Deus, meu Deus! Como tudo é esquisito hoje! E ontem tudo era exatamente como de costume. Será que fui eu que mudei à noite? Deixe-me pensar: eu era a mesma quando me levantei hoje de manhã? Estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma, a próxima pergunta é: ‘Quem é que eu sou?’. Ah, essa é a grande charada!”

Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll

Origem Feminina

Existem várias lendas sobre a origem da Mulher.
Uma diz que Deus pôs o primeiro homem a dormir, inaugurando assim a anestesia geral, tirou uma de suas costelas e com ela fez a primeira mulher.
E que a primeira provação de Eva foi cuidar de Adão e agüentar o seu mau humor, enquanto ele convalescia da operação.
Uma variante desta lenda diz que Deus, com seu prazo para a Criação estourado, fez o homem às pressas, pensando “Depois eu melhoro”, e mais tarde, com tempo, fez um homem mais bem-acabado, que chamou Mulher, que é “melhor” em aramaico.
Outra lenda diz que Deus fez a mulher primeiro, e caprichou nas suas formas, e aparou aqui e tirou dali, e com o que sobrou fez o homem só para não jogar barro fora.
Zeus teria arrancado a mulher de sua própria cabeça.
Alguns povos nórdicos cultivam o mito da Grande Ursa Olga, origem de todas as mulheres do mundo, o que explica o fato das mulheres se enrolarem periodicamente em pêlos de  animais, cedendo a um incontrolável impulso atávico, nem que seja só para experimentar, na loja, e depois quase desmaiar com o preço.
Em certas tribos nômades do Meio Oriente ainda se acredita que a mulher foi, originariamente, um camelo, que na ânsia de servir seu mestre de todas as maneiras foi se transformando até adquirir sua forma atual.
No Extremo Oriente existe a lenda de que as mulheres caem do céu, já de kimono.
E em certas partes do Ocidente persiste a crença de que mulher se compra através dos classificados, podendo-se escolher idade, cor da pele e tipo de massagem.
Todas estas lendas, claro, têm pouco a ver com a verdade científica. Hoje se sabe que o Homem é o produto de um processo evolutivo que começou com a primeira ameba a sair do mar primevo, e é o descendente direto de uma linha específica de primatas, tendo passado por várias fases até atingir o seu estágio atual e aí encontrar a Mulher, que ninguém ainda sabe de onde veio.
É certamente ridículo pensar que as mulheres também descendem de macacos. A minha mãe, não!
Uma das teses mais aceitáveis sobre o papel da mulher na evolução do homem é a de que o primeiro encontro entre os dois se deu no período paleolítico, quando um homo-sapiens mas não muito, chamado, possivelmente, Ugh, saiu para caçar e avistou, sentado numa pedra, penteando os cabelos, um ser que lhe provocou o seguinte pensamento, em  linguagem de hoje:
”Isso é que é mulher e não aquilo que tenho na caverna”.
Ugh aproximou-se da mulher e, naquele seu jeitão, deu a entender que queria procriar com ela.
”Agh maakgrom grom”, ou coisa parecida. A mulher olhou-o de cima a baixo e desatou a rir.
É preciso lembrar que Ugh, embora fosse até bem apessoado pelos padrões da época, era pouco mais do que um animal aos olhos da mulher. Tinha a testa estreita e as mandíbulas pronunciadas e usava gordura de mamute nos cabelos.
A mulher disse alguma coisa como “Você não se enxerga, não?” e afastou-se, enojada, deixando Ugh desolado. Antes dela desaparecer por completo, Ugh ainda gritou: “Espera uns 10 mil anos pra você ver!”, e de volta à caverna exortou seus companheiros a  aprimorarem o processo evolutivo.
Desde então, o objetivo da evolução do homem foi o de proporcionar um par à altura para a mulher, para que, vendo o casal, ninguém dissesse que ela só saía com ele pelo dinheiro, ou para espantar assaltantes.
Se não fosse por aquele encontro fortuito em alguma planície do mundo primitivo, o homem ainda seria o mesmo troglodita desleixado e sem ambição, interessado apenas em caçar e catar seus piolhos, e um fracasso social.
Mas de onde veio a primeira mulher, já que podemos descartar tanto a evolução quanto as fantasias religiosas e mitológicas sobre a criação?
Inclino-me para a tese da origem extraterrena. A mulher viria (isto é pura especulação, claro) de outro planeta.
Venho observando-as durante anos – inclusive casei com uma, para poder estudá-las mais de perto – e julgo ter colecionado provas irrefutáveis de que elas não são deste mundo. Observei que elas não têm os mesmos instintos que nós, e volta e meia são surpreendidas em devaneio, como que captando ordens de outra galáxia, embora disfarcem e digam que só estavam pensando no jantar. Têm uma lógica completamente diferente da nossa. Ultimamente têm tentado dissimular sua peculiaridade, assumindo atitudes masculinas e
fazendo coisas – como dirigir grandes empresas e xingar a mãe do motorista ao lado – impensáveis há alguns anos, o que só aumenta a suspeita de que se trata de uma estratégia para camuflar nossas diferenças, que estavam começando a dar na vista.
Quando comentamos o fato, nos acusam de ser machistas, presos a preconceitos e incapazes de reconhecer seus direitos, ou então roçam a nossa nuca com o nariz, dizendo coisas como “ioink, ioink” que nos deixam arrepiados e sem argumentos.
Claramente combinaram isto. Estão sempre combinando maneiras novas de impedir que se descubra que são alienígenas e têm desígnios próprios para a nossa terra.
É o que fazem, quando vão, todas juntas, ao banheiro, sabendo que não podemos ir atrás para ouvir.
Muitas vezes, mesmo na nossa presença, falam uma linguagem incompreensível que só elas entendem, obviamente um código para transmitir instruções do Planeta Mãe.
E têm seus golpes baixos. Seus truques covardes. Seus olhos laser, claros ou profundamente escuros, suas bocas.
Meu Deus, algumas até sardas no nariz. Seus seios, aqueles mísseis inteligentes. Aquela curva suave da coxa, quando está chegando no quadril, e a Convenção de Genebra não vê isso!
E as armas químicas – perfumes, loções, cremes. São de uma civilização superior, o que podem nossos tacapes contra os seus exércitos de encantos?
Breve dominarão o mundo. Breve saberemos o que elas querem. Se depois de sair este artigo, eu for encontrado morto com sinais de ter sido carinhosamente asfixiado, como um sorriso, minha tese está certa. Se nada me acontecer, sinal de que a tese está certa, mas elas não temem mais o desmascaramento.
O que elas querem, afinal?
Se a mulher realmente veio ao mundo para inspirar o homem a melhorar e ser digno dela, pode ter chegado à conclusão de que falhou, que este velho guerreiro nunca tomará jeito. Continuaremos a ser mulheres com defeito, uma experiência menor num planeta inferior. O que sugere a possibilidade de que, assim como veio, a mulher está pronta a partir, desiludida conosco.
E se for isso que elas conspiram nos banheiros? A retirada? Seríamos abandonados à nossa própria estupidez. Elas levariam as suas filhas e nos deixariam com caras de Ugh.
Posso ver o fim da nossa espécie. Nossos melhores cientistas abandonando tudo e se dedicando a intermináveis testes com a costela, depois de desistir da mulher sintética. Tentando recriar a mágica da criação.
Uma mulher, qualquer mulher, de qualquer jeito! Prometemos que desta vez não as decepcionaremos! Uma mulher! Como é que se faz uma mulher?

Luís Fernando Veríssimo

Esta manhã, antes do alvorecer, subi numa colina para admirar o céu povoado,
E disse à minha alma: Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?
E minha alma disse: Não, uma vez alcançados esses mundos prosseguiremos no caminho.”

Walt Whitman

“Here’s a little song i wrote,
You might want to sing it note for note,
Don’t worry, be happy
In every life we have some trouble,
When you worry you make it double
Don’t worry, be happy
Dont worry be happy now
Aint got no place to lay your head,
Somebody came and took your bed,
Don’t worry, be happy
The landlord say your rent is late,
He may have to litigate,
Dont worry (small laugh) be happy,
Look at me im happy,
Don’t worry, be happy
I give you my phone number,
When your worried, call me,
I make you happy
Don’t worry, be happy
Ain’t got no cash, aint got no style,
Ain’t got no girl to make you smile
But don’t worry, be happy
Cause when you worry, your face will frown,
And that will bring everybody down,
So don’t worry, be happy
Don’t worry, be happy now…
Now there this song i wrote
I hope you you learned it note for note
Like good little children
Listen to what i say
In your life expect some trouble
When you worry you make it double
Dont worry be happy
Be happy now
Don’t worry, don’t worry, don’t do it,
Be happy,put a smile on your face,
Don’t bring everybody down like this
Don’t worry, it will soon pass whatever it is,
Don’t worry, be happy,
I’m not worried”

Don´t Worry be Happy – Composição: Bobby McFerrin

*Robert Nesta Marley, mais conhecido como Bob Marley (Saint Ann, 6 de fevereiro de 1945— Miami, 11 de maio de 1981) foi um cantor, guitarrista e compositor jamaicano, o mais conhecido músico de reggae de todos os tempos, famoso por popularizar o gênero. Grande parte do seu trabalho lidava com os problemas dos pobres e oprimidos. Ele foi chamado de “Charles Wesley dos rastafáris” pela maneira com que divulgava a religião através de suas músicas.

Se eu morrer…

 

“Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ‘ Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !’ Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas ? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porque ? Porque… Ser seu amigo já é um pedaço dele !”

Vinícius de Moraes

Refletir…

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom ou empregado,
não pode ser uma boa pessoa.(Esta é muito importante. Preste atenção, nunca falha)
2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você,quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.
(Tá cheio de gente querendo te converter!)
3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.(Na maioria das vezes quem tá te olhando também não sabe! Tá valendo!)
4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca. (Deus deu 24 horas em cada dia para cada um cuidar da sua vida e tem gente que insiste em fazer hora-extra!)
5. Não confunda sua carreira com sua vida.(Aprenda a fazer escolhas!)
6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite. (Quem escreveu deve ter conhecimento de causa!)
7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria 'reuniões'.(Onde ninguém se entende... Com exceção das reuniões que acontecem nos
botecos.)
8. Há uma linha muito tênue entre 'hobby' e 'doença mental'. (Ouvir música é hobby... No volume máximo às sete da manhã pode ser doença mental!)
9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.(Que bom!!!!!)
10. Lembre-se: nem sempre os profissionais são os melhores. Um amador construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic. (É Verdade mesmo!!!)

'Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que outra pessoa morra 'William Shakespeare

Dez coisas que levei anos para aprender -texto de Luiz Fernando Veríssimo


Gato…

Há dia, sabes, em que gostava de ser como o gato e que me tocasses sem desejar encontrar quaisquer sentimentos a não ser o que se exprime num espreguiçar muito lento – um vago agradecimento? – e que depois me deixasses deitado no sofá sem que nada pudesses levar da minha alma, pois nem saberias o que dela roubar.”

Pedro Paixão em Assinar a pele, conto

“Que bom despertar de manhã
Dar de cara com a vida
Sem pensar se o tempo atrasou
Ou se está de partida
Ser apenas parte de tudo
No compasso do mundo
Ter o coração sempre atento
Compreender…
Que a vida também
Quer brincar de viver !!
Lírios, rouxinóis e as maçãs
Nos abraços do dia
E a felicidade de ser
Uma eterna alegria…”

Paulinho Tapajós e Mu Carvalho

Para analisar

“Um amigo falou-me de um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada.

Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques. Alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.

Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: nossos pais.

Infelizmente, isso não é verdade, pois, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível, mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.

Muitas pessoas tomam esse trem, apenas a passeio, outros encontrarão essa viagem somente tristezas, ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa.

Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante a viagem, atravessemos, com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar. Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas. Porém, jamais, retornos.

Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre, que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender isso, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.

O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.

Eu fico pensando, se, quando descer desse trem, sentirei saudades. Acredito que sim, me separar de alguns amigos que fiz nele será no mínimo dolorido, deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos, com certeza, será muito triste, mas me agarro na esperança que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram e o que vai me deixar feliz, será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.

Façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranqüila, que tenha valido à pena e que, quando chegar à hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem.”

 

*Trem da vida – Silvana Duboc*

Rifa-se…

“Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta”


Clarice Lispector

Vai passar…

“Vai passar, tu sabes que vai passar.
Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana,
um mês ou dois, quem sabe?
O verão está aí, haverá sol quase todos os dias,
e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’.
Pois esse impulso ás vezes cruel,
porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo,
te empurrará quem sabe para o sol,
para o mar, para uma nova estrada qualquer e,
de repente, no meio de uma frase ou de um movimento
te surpreenderás pensando algo assim como
‘estou contente outra vez’.(…)”

Caio Fernando de Abreu

Um no outro…

“Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer…
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei…

O amor é quando a gente mora um no outro.”

Mario Quintana

Simplicidade…

“A vida é mais simples do que a gente pensa. Basta aceitar o impossível,
dispensar o indispensável e suportar o insuportável.”

Kathleen Norris

Vida…

“De costas para o mundo, para o pó,
para o frágil redemoinho de nostalgias e sonhos
e de efêmeras representações,
esta leve fábrica se levanta
só pelo milagre de haver vencido
o tempo e suas mais recônditas argúcias.”

*Álvaro Mutis (1923), poeta colombiano, autor de Homenagem, do livro Poesias

Bombeiros…



The cry of the city like a siren's song
Wailing over the rooftops the whole night long
Saw a shooting star like a diamond in the sky
Must be someone's soul passing by
These are the streets
Where we used to run where your Papa's from
These are the days
Where you become what you become
These are the streets
Where the story's told
The truth unfolds
Darkness settles in
Shine your light down on me
Lift me up so I can see
Shine your light when you're gone
Give me the strength
To carry on, carry on
Don't wanna be a hero
Just an everyday man
Trying to do the job the very best he can
But now it's like living on borrowed time
Out on the rim, over the line
Always tempting fate like a game of chance
Never wanna stick around to the very last dance
Sometimes I stumble and take a hard fall
Loose(?) hold your grip off the wall
I thought I saw him walking by the side of the road
Maybe trying to find his way home
He's here but not here
He's gone but not gone
Just hope he knows if I get lost

Shine Your Light - Robbie Robertson

O tamanho das pessoas…

“Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento…
Uma pessoa é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas:
A Amizade,
O Carinho,
O Respeito,
O Zelo,

E até mesmo o Amor.
Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você. E pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande…
…é a sua sensibilidade, sem tamanho…”

William Shakespeare

“Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não da minha altura”
Fernando Pessoa

Para Refletir….

O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:

- Senhor Bilac, estou precisando vender o meu sitio, o qual o Senhor conhece muito bem. Poderá redigir um anúncio para o jornal?

Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:

“Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas marejantes águas de um ribeiro. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda.”

Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sitio.
- Nem pense nisso, disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha!

Às vezes não descobrimos as coisas boas que temos e longe vamos atrás da miragem de falsos tesouros.
Valorize o que tens, as pessoas, os amigos, os momentos…

Coração…

“Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse a chorar isto que sinto!”

Florbela Espanca

Amizade…

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinícius de Moraes

Mergulho…

“Sim, meu Deus, eu já desci tanto

Que agora me sinto em cima.

Sim, tanto, eu já desci tanto

Que agora me sinto em cima.

Oh, porque é que nenhum de vós senhores

Vem até aqui e me liberta?”

Jim Morrison (1943-1971), poeta e músico norte-americano, em Já Desci Tanto, do livro Uma Oração Americana e outros Escritos

Até o fim…

I just want to see you
When you’re all alone
I just want to catch you if I can
I just want to be there
When the morning light explodes
On your face it radiates
I can’t escape
I love you ’till the end
I just want to tell you nothing
You don’t want to hear
All I want is for you to say
Why don’t you just take me
Where I’ve never been before
I know you want to hear me
Catch my breath
I love you ’till the end
I just want to be there
When we’re caught in the rain
I just want to see you laugh not cry
I just want to feel you
When the night puts on its cloak
I’m lost for words don’t tell me
´Cause all I can say
I love you ’till the end

Love You ‘Till The End – The Pogues

Silêncio…

“Se te pareço ausente, não creias:
Hora a hora o meu amor agarra-se aos teus braços,
hora a hora o meu desejo revolve estes escombros
e escorrem dos meus olhos mais promessas.

Não acredites neste breve sono;
não dês valor maior ao meu silêncio;
e se leres recados numa folha branca,
não creias também: é preciso encostar
teus lábios em meus lábios para ouvir.

Nem acredites se pensas que te falo:
Palavras são o meu jeito mais secreto de calar.”

Lya Luft

Intensidade…

***Sonhe como se fosse viver para sempre , viva como se fosse morrer amanhã…***

Das Utopias…

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Mário Quintana

Sonhos….

“Tivesse eu os tecidos adornados do céu, ornamentados com luzes d’ouro e prata…
…os tecidos azuis, indistintos e escuros da noite, a luz e os meio-tons, espalhá-los-ia a teus pés. Mas eu, sendo pobre, tenho apenas meus sonhos; espalhei-os, então, a teus pés. Pisa com delicadeza, pois caminha sobre meus sonhos.”

W.B. Yeats
(1865-1939)Dramaturgo e poeta irlandes

Se eu pudesse…

“Se eu te pudesse dizer
O que nunca te direi,
Tu terias que entender
Aquilo que nem eu sei.”

*Fernando pessoa ( Quadras ao Gosto Popular)

A Pessoa Errada…

Pensando bem
Em tudo o que a gente vê, e vivencia
E ouve e pensa

Não existe uma pessoa certa pra gente
Existe uma pessoa
Que se você for parar pra pensar
É, na verdade, a pessoa errada
Porque a pessoa certa
Faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando
das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia
sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira
A pessoa errada, é na verdade,
aquilo que a gente chama de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando
suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo
ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada
tem que aparecer pra todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo, é que temos que viver
Cada momento
Cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo, conseguindo
E só assim
É possível chegar aquele momento do dia
Em que a gente diz:
“Graças à Deus deu tudo certo”
Quando na verdade
Tudo o que ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente…

Nossa missão: Compreender o universo de cada ser humano, respeitar as diferenças,
brindar as descobertas, buscar a evolução
.

Luis Fernando Veríssimo

Apesar de…

“…uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse seu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.”

Clarice Lispector, no livro Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres.

“Na vida, os blocos de granito afundam – já as cascas das árvores continuam flutuando.” Pierre-Auguste Renoir

La Yole (o esquife), de 1875, da National Gallery, de Londres.

*Pierre-Auguste Renoir (nasceu em Limoges, 25 de fevereiro de 1841 e morreu em Cagnes-sur-Mer, 3 de dezembro de 1919) foi um dos mais célebres pintores franceses e um dos mais importantes nomes do movimento impressionista.
Seu principal objetivo, como ele próprio afirmava, era conseguir realizar uma obra agradável aos olhos.

Falta…

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.”

Poema de Carlos Drummond de Andrade

Chocolate…

“(…) os Homens são como o chocolate (…)

sedutoras tentações, disponíveis em infinitas variações.

Algumas especializavam-se em parecer dulcíssimos à primeira trincadela,

só para depois revelarem o travo amargo da vertente mais escura.

E eu que adorava especialidades.”

*Tina Grube, no livro “Os Homens são como Chocolate”.

    Tina Grube possui em abundância uma rara capacidade de ver as coisas pelo lado da ironia e revela-se capaz de traçar um brilhante retrato da vida de jovens mulheres talentosas, cheias de sonhos e ambições, simultaneamente senhoras de si e vulneráveis, enquanto sob o tom de comédia romântica vai dissecando os aspectos problemáticos das relações amorosas.

Lado a lado

“Ambos compreensivos,

Não me dirás nada: eu não farei objeção…

E nada poderá desdourar tal relação.”

*Tristan Corbière (1845-1875), poeta francês, em Rapsódia do Surdo, do livro Os Amores Amarelos

Só depende de nós…

“Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a
poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o
desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.

Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.

O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.

Tudo depende só de mim.”

(Charles Chaplin)

Favorit Song

“And she was lying in the grass
And she could hear the highway breathing
And she could see a nearby factory
She’s making sure she is not dreaming
See the lights of a neighbor’s house
Now she’s starting to rise
Take a minute to concentrate
And she opens up her eyesThe world was moving and she was right there with it and she was
The world was moving she was floating above it and she was

And she was drifting through the backyard
And she was taking off her dress
And she was moving very slowly
Rising up above the earth
Moving into the universe
Drifting this way and that
Not touching ground at all
Up above the yard

She was glad about it… no doubt about it
She isn’t sure where she’s gone
No time to think about what to tell them
No time to think about what she’s done
And she was

And she was looking at herself
And things were looking like a movie
She had a pleasant elevation
She’s moving out in all directions
Joining the world of missing persons and she was
Missing enough to feel alright and she was

#And She was – Talking Heads

Palavras

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“Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra
razão para amar senão amar.
Que queres que te diga, além
de que te amo, se o que quero
dizer-te é que te amo?”

Fernando Pessoa

Realizações

“As grandes coisas são feitas por pessoas que tem grandes idéias
e saem pelo mundo para fazer com que seus sonhos se tornem realidade”
(Ernest Holmes)

Desejo

“Desejo primeiro que você ame,15_05_20-primula_web.jpg
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar. Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro. Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé. Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros. Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós. Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano. Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta. Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada. Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore. Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem. Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar. Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.”

*Victor Hugo

Vivendo e aprendendo

” Embora ninguém possa voltar atrás e 

fazer um novo começo,

 qualquer um pode  começar agora e fazer um novo fim “.

Francisco Cândido Xavier

Adeus…

caes_moto.jpg“Adeus, escritório, adeus.
Para sempre e nunca mais.
Eu vou sair pelo mundo, Vou para Minas Gerais.
Já não quero mais cidade,
Onde tem muita prisão
E nenhuma liberdade.”

*Rubem Braga (1913-1990), escritor e poeta brasileiro, em Adeus, do livro Antologia dos Poetas. 

O mestre do surreal

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”Como posso querer que meus amigos entendam as coisas loucas que
passam pela minha cabeça, se eu mesmo, não entendo?”
Salvador Dali

Salvador Dalí (Figueres, 11 de Maio de 1904 — Figueres, 23 de Janeiro de 1989) foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, como nos sonhos, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos Mestres da Renascença, e foi um artista com grande talento e imaginação. Tinha uma reconhecida paixão por atitudes e por fazer coisas extravagantes destinadas a chamar a atenção, o que por vezes aborrecia aqueles que apreciavam a sua arte, ao mesmo tempo que incomodava os seus críticos, uma vez que a sua forma de estar teatral e excêntrica tendia a eclipsar o seu trabalho no que à notoriedade diz respeito.
As excentricidades e declarações provocadoras fizeram de Salvador Dalí uma das mais polêmicas figuras da arte contemporânea, mas não impediram que sua obra fosse reconhecida como uma das mais audaciosas e apuradas da pintura surrealista.

Ausência

“Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.”

Poema de Vinícius de Moraes

Olhar…

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“tu
olhas ora para mim
ora para as nuvens

sinto que
estás tão longe quando olhas para mim
e tão perto quando olhas para as nuvens”

*Gu Cheng (1956-1993), poeta chinês em Longe ou Perto, do livro Um Barco Remenda o Mar.

Saudade…

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade.

Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida.

Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido as aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando o McDonald’s, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso… É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer. Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler…

Miguel Falabella

“Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém. Posso, apenas, dar boas razões para que gostem de mim e ter a paciência para que a vida faça o resto…

William Shakespeare

Vida para alugar

I haven’t really ever found a place that I call home
I never stick around quite long enough to make it
I apologize that once again I’m not in love
But it’s not as if I mind
that your heart ain’t exactly breaking
It’s just a thought, only a thought

I’ve always thought that I would love to live by the sea
To travel the world alone
And live more simply
I have no idea what’s happened to that dream
Cos there’s really nothing left here to stop me
It’s just a thought, only a thought

While my heart is a shield
And I won’t let it down
While I am so afraid to fail
So I won’t even try
Well how can I say I’m alive?

But if my life is for rent
And I don’t learn to buy
Well I deserve nothing more than I get
Cos nothing I have is truly mine

Life For Rent – DIDO

Sonetos de amor…

Cem Sonetos de Amor é um livro83553.jpg
de Pablo Neruda publicado
em 1959 com cem sonetos
relacionados ao romantismo,
amor, etc., divididos em
quatro partes: Manhã, Meio-dia,
Tarde e Noite, onde Neruda
expressa todo o conteúdo
da palavra amor. Segue abaixo
um dos mais belos poemas
do livro, sem dúvida:

“Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam fogo;
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e
Leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores.
E graças a teu amor, vive oculto em meu corpo
O delicado aroma que ascende da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo simplesmente, sem complicações, nem orgulho;
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim, deste modo, em que não sou nem és.
Tão perto que tua mão sobre meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com
Meus sonhos…”

Pablo Neruda

Tempo da travessia

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“Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas,
que já têm a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos
mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.”
Fernando Pessoa

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Criança, ele pensava: amor, coisa que os adultos sabem.
Via-os aos pares namorando nos portões enluarados se entrebuscando numa aflição feliz de mãos na folhagem das anáguas.Via-os noivos se comprometendo à luz da sala ante a família, ante as mobílias; via-os casados, um ancorado no corpo do outro, e pensava: amor, coisa-para-depois, um depois-adulto-aprendizado.
Se enganava.
Se enganava porque o aprendizado de amor não tem começo nem é privilégio aos adultos reservado.
Sim, o amor é um interminável aprendizado.
Por isto se enganava enquanto olhava com os colegas, de dentro dos arbustos do jardim, os casais que nos portões se amavam. Sim, se pesquisavam numa prospecção de veios e grutas, num desdobramento de noturnos mapas seguindo o astrolábio dos luares, mas nem por isto se encontravam. E quando algum amante desaparecia ou se afastava, não era porque estava saciado. Isto aprenderia depois. É que fora buscar outro amor, a busca recomeçara, pois a fome de amor não sabia nunca, como ali já não se saciara.
De fato, reparando nos vizinhos, podia observar. Mesmo os casados, atrás da aparente tranqüilidade, continuavam inquietos. Alguns eram mais indiscretos. A vizinha casada deu para namorar. Aquele que era um crente fiel, sempre na igreja, um dia jogou tudo para cima e amigou-se com uma jovem. E a mulher que morava em frente da farmácia, tão doméstica e feliz, de repente fugiu com um boêmio, largando marido e filhos.
Então, constatou, de novo se enganara. Os adultos, mesmo os casados, embora pareçam um porto onde as naus já atracaram, os adultos, mesmo os casados, que parecem arbustos cujas raízes já se entrançaram, eles também não sabem, estão no meio da viagem, e só eles sabem quantas tempestades enfrentaram e quantas vezes naufragaram.
Depois de folhear um, dez, centenas de corpos avulsos tentando o amor verbalizar, entrou numa biblioteca. Ali estavam as grandes paixões. Os poetas e novelistas deveriam saber das coisas. Julietas se debruçavam apunhaladas sobre o corpo morto dos Romeus, Tristãos e Isoldas tomavam o filtro do amor e ficavam condenados à traição daqueles que mais amavam e sem poderem realizar o amor.
O amor se procurava. E se encontrando, desesperava, se afastava, desencontrava.
Então, pensou: há o amor, há o desejo e há a paixão.
O desejo é assim: quer imediata e pronta realização. É indistinto. Por alguém que, de repente, se ilumina nas taças de uma festa, por alguém que de repente dobra a perna de uma maneira irresistivelmente feminina.
Já a paixão é outra coisa. O desejo não é nada pessoal. A paixão é um vendaval. Funde um no outro, é egoísta e, em muitos casos, fatal.
O amor soma desejo e paixão, é a arte das artes, é arte final.
Mas reparou: amor às vezes coincide com a paixão, às vezes não.
Amor às vezes coincide com o desejo, às vezes não.
Amor às vezes coincide com o casamento, às vezes não.

E mais complicado ainda: amor às vezes coincide com o amor, às vezes não.
Absurdo.
Como pode o amor não coincidir consigo mesmo?
Adolescente amava de um jeito.
Adulto amava melhormente de outro.
Quando viesse a velhice, como amaria finalmente?
Há um amor dos vinte, um amor dos cinqüenta e outro dos oitenta?
Coisa de demente.
Não era só a estória e as estórias do seu amor.
Na história universal do amor, amou-se sempre diferentemente, embora parecesse ser sempre o mesmo amor de antigamente.
Estava sempre perplexo.
Olhava para os outros, olhava para si mesmo ensimesmado.
Não havia jeito. O amor era o mesmo e sempre diferenciado.
O amor se aprendia sempre, mas do amor não terminava nunca o aprendizado.
Optou por aceitar a sua ignorância.
Em matéria de amor, escolar, era um repetente conformado.
E na escola do amor declarou-se eternamente matriculado.

Texto extraído do livro “21 Histórias de amor”, de Affonso Romano de Sant’Anna

O QUE EU ADORO EM TI

“O que eu adoro em ti solaguia.jpg
Não é a tua beleza
A beleza, é em nós que ela existe.

A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela
De fragilidade e de incerteza.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Mas é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
-Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento.
Graça aérea como teu próprio momento,
Graça que perturba e que satisfaz.

O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.

E meu pai.

O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é A VIDA.“

Madrigal Melancólica – Manoel Bandeira

Um ano em dez livros

Os autores e as Histórias que movimentaram as livrarias em 2007 -segundo a “Revista da Semana”

Harry Potter e as Relíquias da Morte, J. K. Rowling
Lançado em novembro no Brasil,o livro encerrou com grande estilo um dos maiores fenômenos editoriais de todos os tempos. Traduzido para 65 idiomas, os sete volumes da saga venderam mais de 350 milhões de exemplares em todo o mundo.

O Castelo na Floresta, Normam Mailer
Baseado em sólida pesquisa documental, o último romance de Mailer apresenta um retrato do ditador pintado “com tintas psicanalíticas por um demônio filosoficamente inquieto”. Sobriamente engaçado, o livro mostra que o escritor, morto em novembro aos 84 anos, permaneceu cativante até a última provocação, afirma a New Yorker
.

O Filho Eterno, Cristovão Tezza,
“De um racionalismo brutal”, observa Armando Antenore na Bravo!, o romance francamente autobiográfico, “lança mão de reflexões tão cruéis quanto corajosas para relatar o que significa conceber e educar até a idade adulta um portador de alterações genéticas graves.”

Homem Comum, Philip Roth,
Lançado nos EUA no ano passado, o livro é novela da maturidade de um mestre, em que o autor desfia sua habitual elegância e concisão. Misturando sua biografia com a do protagonista, relata as inquietações de um velho judeu ao ser confrontado com a possibilidade da morte.

Os Pichicegos, Rodolfo Fogwill
Um grupo de jovens argentinos, enviado às Malvinas para retomar a posse das ilhas ocupadas pela Inglaterra, deserta em pleno conflito, vivendo escondidos em trincheiras enregeladas.Proibido pela ditadura militar, o livro impressiona por seu lado torturante, quase fantástico do autor, único a reproduzir a verdade do absurdo desenrolado nas Malvinas, afirma o Clarín.

1808, Laurentino Gomes
Um dos livros mais vendidos do ano, 1808 traz a luz da coloquialidade a história da Corte Portuguesa no Brasil. O autor articula a produção de dez anos de pesquisa em síntese histórica que brilha pela limpidez e pela projeção do passado no presente, escreve Mary Del Priore em Veja.

Precisamos Falar Sobre o Kevin, Lionel Shriver
Recusado por cerca de 30 editoras antes de ser lançado e vender mais de 600 mil cópias no Reino Unido, o livro constrói, por meio de cartas entre a mãe ausente e o pai mais ainda, o retrato do jovem que dispara contra colegas e professores de sua escola. “Inúmeros autores tentaram traduzir o contexto que leva ao gesto de desespero. Lionel Shriver é de longe a mais bem sucedida” avalia a Publishers Weekly.

Deus Não É Grande, Christopher Hitchens
No livro, o autor volta sua verve provocadora contra a religião, considerada por ele “violenta,obscurantista, intolerante”. “Seu estilo irônico é sempre um prazer, mesmo para o leitor que discorde dele”, observa a Veja.

O Vulto das Torres, Lawrence Wright,
Um dos melhores livros sobre o terrorismo, define a Publishers Weekly, o livro mapeia a trilha do horror fundamentalista, do nascimento da Al-Qaeda e da liderança de Osama Bin Laden aos acontecimentos de 11 de setembro de 2001.

África, Sebastião Salgado,
O livro reúne 300 fotos de Sebastião Salgado no continente em que peregrina há mais de 30 anos.Acompanhadas de um texto do moçambicano Mia Couto, suas poderosas crônicas em preto-e-branco registram “a força trágica de uma terra que, contra todas as adversidades, insiste em reafirmar sua beleza”, observa o Lê Figaro Littéraire.

Fonte: www.revistadasemana.com.br

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Andy McKee (nasceu em Topeka, Kansas, em 1979) é um violonista americano que com seu jeito raro de tocar e seu estilo de compor, com muito talento, ganhou grande destaque em 2007 com uma performance ao vivo de sua canção Dryffiting em vídeo no YouTube. O vídeo também foi destaque na primeira página do MySpace, em Julho de 2007. Muitas outras canções de Mckee tem experimentado um êxito semelhante no YouTube, como “Rylynn” e “Africa”.
M
cKee está atualmente em uma turnê mundial promovendo sua música, incluindo o seu mais recente álbum, Gates of Gnomeria, que foi liberado em 10 de setembro de 2007.
Dotado de um estilo de tocar e compor raramente visto, ele se tornou o violinista mais assistido em toda a história do Youtube. Neste exato momento 10,000,000 pessoas já viram o vídeo. Houve um momento em que ele foi o clipe musical mais popular do Youtube. A forma de tocar de Mckee é bem diferente dos violonistas mais convencionais. Ele se utiliza intensamente de dedilhados com ambas as mãos diretamente sobre o braço do violão, com uma habilidade que lembra mais os pianistas. Além disto, combina o toque nas cordas com percussão na caixa do instrumento.

Não deixe de ver os vídeos!!!!

A menina dos Fósforos

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Estava tanto frio! A neve não parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a última noite de Dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão, uma pobre menininha seguia pela rua fora, com a cabeça descoberta e os pés descalços. É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua a correr para fugir de um trem. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar. Por isso, a menininha seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a toda a gente que passava, apregoando: — Quem compra fósforos bons e baratos? — Mas o dia tinha-lhe corrido mal. Ninguém comprara os fósforos, e, portanto, ela ainda não conseguira ganhar um tostão. Sentia fome e frio, e estava com a cara pálida e as faces encovadas. Pobre menininha! Os flocos de neve caíam-lhe sobre os cabelos compridos e loiros, que se encaracolavam graciosamente em volta do pescoço magrinho; mas ela nem pensava nos seus cabelos encaracolados. Através das janelas, as luzes vivas e o cheiro da carne assada chegavam à rua, porque era véspera de Ano Novo. Nisso, sim, é que ela pensava. Sentou-se no chão e encolheu-se no canto de um portal. Sentia cada vez mais frio, mas não tinha coragem de voltar para casa, porque não vendera um único maço de fósforos, e não podia apresentar nem uma moeda, e o pai era capaz de lhe bater. E afinal, em casa também não havia calor. A família morava numa água-furtada, e o vento metia-se pelos buracos das telhas, apesar de terem tapado com farrapos e palha as fendas maiores. Tinha as mãos quase paralisadas com o frio. Ah, como o calorzinho de um fósforo aceso lhe faria bem! Se ela tirasse um, um só, do maço, e o acendesse na parede para aquecer os dedos! Pegou num fósforo e: Fcht!, a chama espirrou e o fósforo começou a arder! Parecia a chama quente e viva de uma candeia, quando a menina a tapou com a mão. Mas, que luz era aquela? A menina julgou que estava sentada em frente de um fogão de sala cheio de ferros rendilhados, com um guarda-fogo de cobre reluzente. O lume ardia com uma chama tão intensa, e dava um calor tão bom! Mas, o que se passava? A menina estendia já os pés para se aquecer, quando a chama se apagou e o fogão desapareceu. E viu que estava sentada sobre a neve, com a ponta do fósforo queimado na mão. Riscou outro fósforo, que se acendeu e brilhou, e o lugar em que a luz batia na parede tornou-se transparente como tule. E a menininha viu o interior de uma sala de jantar onde a mesa estava coberta por uma toalha branca, resplandecente de louças finas, e mesmo no meio da mesa havia um ganso assado, com recheio de ameixas e purê de batata, que fumegava, espalhando um cheiro apetitoso. Mas, que surpresa e que alegria! De repente, o ganso saltou da travessa e rolou para o chão, com o garfo e a faca espetados nas costas, até junto da menininha. O fósforo apagou-se, e a pobre menina só viu na sua frente a parede negra e fria. E acendeu um terceiro fósforo. Imediatamente se encontrou ajoelhada debaixo de uma enorme árvore de Natal. Era ainda maior e mais rica do que outra que tinha visto no último Natal, através da porta envidraçada, em casa de um rico comerciante. Milhares de velhinhas ardiam nos ramos verdes, e figuras de todas as cores, como as que enfeitam as montras das lojas, pareciam sorrir para ela. A menina levantou ambas as mãos para a árvore, mas o fósforo apagou-se, e todas as velas de Natal começaram a subir, a subir, e ela percebeu então que eram apenas as estrelas a brilhar no céu. Uma estrela maior do que as outras desceu em direção à terra, deixando atrás de si um comprido rasto de luz. «Foi alguém que morreu», pensou para consigo a menina; porque a avó, a única pessoa que tinha sido boa para ela, mas que já não era viva, dizia-lhe muita vez: «Quando vires uma estrela cadente, é uma alma que vai a caminho do céu.» Esfregou ainda mais outro fósforo na parede: fez-se uma grande luz, e no meio apareceu a avó, de pé, com uma expressão muito suave, cheia de felicidade! — Avó! — gritou a menina — leva-me contigo! Quando este fósforo se apagar, eu sei que já não estarás aqui. Vais desaparecer como o fogão de sala, como o ganso assado, e como a árvore de Natal, tão linda. Riscou imediatamente o punhado de fósforos que restava daquele maço, porque queria que a avó continuasse junto dela, e os fósforos espalharam em redor uma luz tão brilhante como se fosse dia. Nunca a avó lhe parecera tão alta nem tão bonita. Tomou a neta nos braços e, soltando os pés da terra, no meio daquele resplendor, voaram ambas tão alto, tão alto, que já não podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos, porque tinham chegado ao reino de Deus. Mas ali, naquele canto, junto do portal, quando rompeu a manhã gelada, estava caída uma menininha, com as faces roxas, um sorriso nos lábios… morta de frio, na última noite do ano. O dia de Ano Novo nasceu, indiferente ao pequenino cadáver, que ainda tinha no regaço um punhado de fósforos. — Coitadinha, parece que tentou aquecer-se! — exclamou alguém. Mas nunca ninguém soube quantas coisas lindas a menina viu à luz dos fósforos, nem o brilho com que entrou, na companhia da avó, no Ano Novo.

Hans Christian Andersen(1805/1875)
http://www.graudez.com.br/litinf/autores/andersen/andersen.htm

anjo-no-escuro.jpgEt erunt signa in sole
Et luna et stellis
Et presura gentium
Prae confusione sonitus maris
 

Elbosco – Nirvana

Tempo

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,

com outro número e outra vontade de acreditar,

que daqui para diante vai ser diferente”

Carlos Drummond de Andrade

Biblioteca Nacional

 

A Biblioteca Nacional é a depositária do450px-bibliotecanacional2.jpg
patrimônio bibliográfico e documental do
Brasil e é a maior biblioteca da América Latina.
Entre suas várias responsabilidades incluem-se a
de preservar, atualizar e divulgar uma coleção
com mais de oito milhões de peças, que teve início
com a chegada da Real Biblioteca de Portugal
ao Brasil e cresce constantemente, a partir
de doações, aquisições e com o depósito legal.
A sede da Biblioteca Nacional situa-se no
centro da cidade do Rio de Janeiro,
em frente a Cinelândia, na Avenida Rio Branco.

Se a vida é…

Come outside and see
a brand new day
The troubles in your mind
will blow away
It’s easy to believe
they’re here to stay
but you won’t find them
standing in your way

Although we see the world
through different eyes
we share the same idea
of paradise
So don’t search in the stars
for signs of love
Look around your life
you’ll find enough
Why do you want to sit alone
in gothic gloom
surrounded by the ghosts of love
that haunt your room?
Somewhere there’s a different door
to open wide
You gotta throw those skeletons out of your closet
and come outside

So you will see
a brand new day
The troubles in your mind
will blow away
It’s easy to believe
they’re here to stay
but you won’t find them
standing in your way
Se a vida é I love you
Come outside and feel the morning sun
Se a vida é I love you
Life is much more simple when you’re young
Come on, essa vida é
That’s the way life is
That’s the way life is

*Pet Shop Boys*

Rupert Brooke

The Hill
by Rupert Brooke

Breathless, we flung us on the windy hill,
Laughed in the sun, and kissed the lovely grass.
You said, “Through glory and ecstasy we pass;
Wind, sun, and earth remain, the birds sing still,
When we are old, are old. . . .” “And when we die
All’s over that is ours; and life burns on
Through other lovers, other lips,” said I,
“Heart of my heart, our heaven is now, is won!”

“We are Earth’s best, that learnt her lesson here.
Life is our cry. We have kept the faith!” we said;
“We shall go down with unreluctant tread
Rose-crowned into the darkness!” . . . Proud we were,
And laughed, that had such brave true things to say.
And then you suddenly cried, and turned away.

*Rupert Brooke (3 de agosto de 1887-1915), foi um poeta inglês que morreu tragicamente com apenas 28 anos na batalha de Galipoli
durante a primeira guerra mundial. Considerado um poeta herói de guerra, morreu servindo na marinha inglesa, na ilha grega de Skyros, onde está sepultado, e onde há um monumento à sua memória.

i carry your heart with me

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“carrego seu coração comigo( eu o carrego
em meu coração)nunca estou sem ele( a qualquer lugar que
eu vou você vai, meu amor; e o que quer que seja feito
por mim é feito por você, meu querido)
eu não temo
o destino(você é meu destino, meu doce)eu não quero
o mundo( pois beleza você é o meu mundo, minha verdade)
e você é o que quer que a lua tenha sempre significado
e o que quer que o sol cante sempre será você

eis o grande segredo que ninguém sabe
(aqui está a raiz da raiz, o broto do broto
e o céu do céu de uma arvore chamada vida;que cresce
mais do que a alma pode esperar ou a mente pode esconder)
e esta é a maravilha que mantém as estrelas a distância.

carrego seu coração(eu o carrego no meu coração)”

Poema de E.E.Cummings

ICEBERG

Esta foto foi enviada por um mergulhadoriceberg.jpg
ao Rig Manager for Global Marine
Drilling in St.Johns, Newfoundland, England.
Só foi possível a obtenção desta preciosidade
fotográfica porque o mar estava absolutamente
calmo, não havia partículas em
suspensão na água e o sol incidia diretamente sobre
o Iceberg. Embora visto da superfície
parecesse de tamanho normal, técnicos avaliaram
que deveria ter cerca de 500 metros abaixo
da linha d’água, pesando cerca
de 300 000 000 toneladas.

Desassossego…

«A vida é uma viagem experimental, feita involuntariamente. É uma viagem do espírito através da matéria, e como é o espírito que viaja, é nele que se vive. Há, por isso, almas contemplativas que têm vivido mais intensa, mais extensa, mais tumultuariamente do que outras que têm vivido externas. O resultado é tudo. O que se sentiu foi o que se viveu. Recolhe-se tão cansado de um sonho como de um trabalho visível. Nunca se viveu tanto como quando se pensou muito.»
Fernando Pessoa – O Livro do Desassossego, p.245

Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céus,
Silêncio, e cores, e perfume, e vida,
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus:

Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-te os lábios meus, — mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. — Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.
O que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!
Esta oculta paixão, que mal suspeitas,
Que não vês, não supões, nem te eu revelo,
Só pode no silêncio achar consolo,
Na dor aumento, intérprete nas lágrimas…

 ** Gonçalves Dias **

Cézanne

“A arte é uma harmonia paralela à natureza
“Existe uma lógica das cores a qual o pintor deveria adaptar-se, que não é a lógica do cérebro”

“Como pintor, torno-me mais lúcido quando confrontado com a Natureza”
“Eu sou a consciência da paisagem que se pensa em mim”

Paul Cézanne

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Mont-Saint Victoire

Paul Cézanne (Aix-en-Provence, 19 de janeiro de 1839— Aix-en-Provence, 22 de outubro de 1906) foi um pintor francês.
Ele cultivava sobretudo a paisagem e a representação de naturezas mortas, mas também pintou figuras humanas em grupo e retratos.

Visite cezanne.com

Aqui vem o sol…

dia-de-sol.jpg

Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it’s all righ

Little darling, it’s been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it’s been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it’s all right
Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it’s been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it’s all right
Sun, sun, sun, here it comes…
Sun, sun, sun, here it comes…
Sun, sun, sun, here it comes…
Sun, sun, sun, here it comes…
Sun, sun, sun, here it comes…
Little darling, I feel that ice is slowly melting
Little darling, it seems like years since it’s been clear
Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it’s all right

 

*Here Comes the Sun – The Beatles, composta por George Harrison.
Segundo George, foi “composta numa manhã ensolarada” na mansão de Eric Clapton. Como em “If I Needed Someone”, outra composição dele, um solo de guitarra soa durante toda a música. Here Comes the sun é uma das canções mais famosas e regravadas dos Beatles, já ganhando até versão orquestrada.

Embriaguem-se

“É preciso estar sempre embriagado.baudelaire2.jpg
Aí está: eis aúnica questão.
Para não sentirem o fardo horrível

do Tempo que verga e inclina para
a terra, é
preciso que se embriaguem
sem descanço.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude,
a
escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um
palácio,
sobre a relva verde de um
fosso, na solidão
morna do quarto,
a embriaguez diminuir ou
desaparecer
quando você acordar, pergunte ao

vento, à vaga, à estrela, ao pássaro,
ao relógio, a
tudo que flui, a tudo que
geme, a
tudo que gira, a tudo que canta,
a tudo que fala, pergunte que
horas são;
e o vento, a vaga, a estrela, o
pássaro, o relógio responderão: “É hora de

embriagar-se! Para não serem os escravos
martirizados do Tempo, embriaguem-se;
embriaguem-se sem descanso”.
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher

Embriaguem-se (tradução Jorge Pontual)
Charles Baudelaire (1821-1867)
poeta e teórico da arte francês, considerado um dos precursores do Simbolismo

Cuide do seu jardim…

“Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande. As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as delas. Temos que nos bastar… nos bastar sempre e
quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida. Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela.

Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente, a gostar de quem gosta de você.

“O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você.”

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!”

********Mario Quintana********

Mudanças…

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, anjo.jpg
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.”

Luís Vaz de Camões
(Mudam-se os Tempos, soneto escrito a mais de 400 anos)

Alma….

Minha alma tem
o peso da luz.
Tem o peso
da música,
Tem o peso da
palavra nunca
dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança, tem
o peso de uma saudade
Tem o peso de um olhar.
Pesa como
pesa uma
ausência
E a lágrima
que não se
chorou. Tem
o imaterial
peso de uma
solidão no meio de outros.”

Clarice Lispector

Universo

universo2.jpg

“O homem é parte de um Todo chamado por ele mesmo de
Universo: uma pequena parte, limitada no tempo e espaço.
Ele se vê como algo separado do resto.
Ilusão que o limita a desejos pessoais, condicionando sua
afetividade a algumas e poucas pessoas de sua tribo.
Libertar-se desta prisão deveria ser o objetivo, aumentando
o círculo de compaixão para amar todas as criaturas vivas e
a natureza, em toda a sua beleza e magnitude”
.

Albert Einstein

 

* Considerado um dos maiores gênios da humanidade, Albert Einstein (Ulm, 14 de março de 1879 – Princeton, 18 de abril de 1955), ganhou o Prêmio Nobel da Física em 1921. Ironicamente, apesar de se posicionar de maneira veemente contra a produção de armas de destruição em massa, seus estudos teóricos possibilitaram o desenvolvimento da energia atômica, cujos desdobramentos são do amplo conhecimento de todos…

Canto

Canto quando o sol me aquececanario.jpg
Ou quando nada faz sentido

Quando encontro o meu caminho
Ou quando me sinto perdido

Quando estou amando
Quando o amor me esquece
Quando sonho tanto
E nada me acontece

Quando estou no fundo

Quando me salva a sorte
Quando me perco no mundo
Pra não pensar na morte

Canto e nem sei porque canto
Entre lágrimas e risos
Canto de tanto espanto
Pra não perder o juízo”

Silvio Ribeiro de Castro

Meditando…

“Se você quer transformar o mundo, meditando-a-beira-rio.jpg
experimente primeiro promover o seu
aperfeiçoamento pessoal e realizar
inovações no seu próprio interior.
Estas atitutes se refletirão em mudanças
positivas no seu ambiente
familiar.
Deste ponto em diante, as mudanças se
expandirão em proporções cada vez maiores.

Tudo o que fazemos produz efeito
, causa algum impacto.”
(Dalai Lama)

Que mundo maravilhoso!!!

What a wonderful world

 

snoopy1.jpg

I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself, what a wonderful world
I see skies of blue and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself, what a wonderful world
The colors of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands, saying, “how do you do?”
They’re really saying, “I love you”
I hear babies cry, I watch them grow
They’ll learn much more, than I’ll never know
And I think to myself, what a wonderful world

 

 

(Composição: Bob Thiele; George David Weiss)

One Art

“A arte de perder não é difícil de dominar…
Tantas coisas parecem feitas
com o intuito de serem perdidas

Que sua perda não é um desastre.
Perca alguma coisas todos os dias.
Aceite o contratempo de perder as chaves da porta.
A hora mal gasta.
A arte de perder não é nenhum desastre.
Depois perca mais rápido com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subsequente
Da viagem não feita. Nada disso é um desastre.
Perdi o relógio da minha mãe. E olhe! nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades, encantadoras. E, mais vasto,
alguns reinos
Que eu possuí, dois rios, um continente.

Eu os perdi. Mais não foi um desastre.
Até mesmo perder você
( a voz zombeteira,
um gesto que eu adoro).
Eu não terei mentido.
É evidente que a arte de perder
não é muito difícil de dominar,

Embora possa parecer (escreva)
como sendo um desastre.”

One Art – Elizabeth Bishop- poeta americana (1911/1979)

PARA DESCONTRAIR…

22 COISAS QUE VOCÊ NÃO PODE MORRER SEM SABER!!!

01 – O nome completo do Pato Donald é Donald Fauntleroy Duck.
02 – Em 1997, as linhas aéreas americanas economizaram US$ 40.000
eliminando uma azeitona de cada salada.
03 – Uma girafa pode limpar suas próprias orelhas com a língua.
04 – Milhões de árvores no mundo são plantadas acidentalmente por
esquilos que enterram nozes e não lembram onde eles as esconderam.
05 – Comer uma maçã é mais eficiente que tomar café para se manter acordado
06 – As formigas se espreguiçam pela manhã quando acordam. 0
7 – As escovas de dente azuis são mais usadas que as vermelhas.
08 – O porco é o único animal que se queima com o sol além dohomem.
09 – Ninguém consegue lamber o próprio cotovelo,
é impossível tocá-lo com a própria língua.
10 – Só um alimento não se deteriora: o mel.
11 – Os golfinhos dormem com um olho aberto.
12 – Um terço de todo o sorvete vendido no mundo é de baunilha.

13 – Os destros vivem, em média, nove anos mais que os canhotos.
14 – O “quack” de um pato não produz eco, e ninguém sabe porquê.
15 – O músculo mais potente do corpo humano é a língua.
16 – É impossível espirrar com os olhos abertos.
17 – “J” é a única letra que não aparece na tabela periódica.
18 – Uma gota de óleo torna 25 litros de água imprópria para oconsumo.
19 – Os chimpanzés e os golfinhos são os únicos animais capazes de se reconhecer
na frente de um espelho.
20 – Rir durante o dia faz com que você durma melhor à noite.
21 – 40% dos telespectadores do Jornal Nacional dão boa-noite ao
William Bonner no final.

A ULTIMA É A MELHOR!!!
22 – Aproximadamente 70 % das pessoas que lêem esta mensagem tentam lamber o cotovelo.

shaw.jpg

 

“Liberdade significa

responsabilidade.

É por isso que tanta gente

tem medo dela.”

 

 

 

 

 

 

George Bernard Shaw (1856–1950)
- escritor, jornalista e dramaturgo irlandes,
ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1925, mas o recusou.

Desejos…

 

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Desejo a você
Fruto do mato

Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva

Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia

Rever uma velha amizade

Ter fé em Deus

Não Ter que ouvir a palavra não

Nem nunca, nem jamais e adeus.

Rir como criança

Ouvir canto de passarinho

Sarar de resfriado

Escrever um poema de Amor

Que nunca será rasgado

Formar um par ideal

Tomar banho de cachoeira

Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova çanção
Esperar alguém na estação

Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa

Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo

Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito, muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade

 

 

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Wish You Were Here

So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold confort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here
We’re just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here

Pink Floyd

*Uma das mais importantes bandas de rock de todos os tempos, o Pink Floyd, como muitas outras do gênero, começou com a união de amigos universitários que, a princípio faziam um folk-rock despretensioso. Com a entrada de Syd Barret, que era compositor, pintor, artista performático e consumidor inveterado de drogas, a banda tomou um caráter lisérgico que a aproximou do rock progressivo. O experimentalismo foi posto parcialmente de lado com a saída de Syd, por decorrência das drogas. Roger Waters e David Gilmour (este, mais posteriormente) assumiram as composições, tornando a banda mais próxima do pop e levando-a ao status de maior fenômeno de vendagens do rock progressivo.

Caráter e Reputação

“Às circunstâncias entre as quais você vive determinam sua reputação.

A verdade em que você acredita determina seu caráter.

A reputação é o que acham que você é.

O caráter é o que você realmente é…

A reputação é o que você tem quando chega a uma comunidade nova.

O caráter é o que você tem quando vai embora…

A reputação é feita em um momento.

O caráter é construído em uma vida inteira…

A reputação torna você rico ou pobre.

O caráter torna você feliz ou infeliz…

A reputação é o que os homens dizem de você junto à sua sepultura.

O caráter é o que os anjos dizem de você diante de Deus.”

(Poema de William Davis)

Céu estrelado…

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Starry night over the Rhone (1888) – Vincent van Gogh

“Tenho uma necessidade terrível de … religião. Então saio à noite e pinto as estrelas”.
“Não sei nada com certeza, a não ser que ver as estrelas me faz sonhar”.
( Van Gogh )

*Vincent Willem van Gogh (Zundert 30 de Março de 1853 — Auvers-sur-Oise, 29 de Julho de 1890) foi um pintor holandês, considerado o maior de todos os tempos desde Rembrandt, apesar de durante a sua vida ter sido marginalizado pela sociedade.
Van Gogh foi mesmo pioneiro na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas.

L.I.V.R.O

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Um novo e revolucionário conceito de tecnologia de informação

Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas – L.I.V.R.O.
L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo!
Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de páginas numeradas, feitas de papel reciclável e capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantêm automaticamente em sua seqüência correta.
Através do uso intensivo do recurso TPA – Tecnologia do Papel Opaco – permite-se que os fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade!
Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer L.I.V.R.O.s com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os torna mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema.
Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que quanto maior e mais complexa a informação a ser transmitida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.
Outra vantagem do sistema é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo à próxima página. O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer momento, bastando abri-lo. Ele nunca apresenta “ERRO GERAL DE PROTEÇÃO”, nem precisa ser reinicializado, embora se torne inutilizável caso caia no mar, por exemplo.
O comando “browse” permite fazer o acesso a qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com o equipamento “índice” instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados.
Um acessório opcional, o marca-páginas, permite que você faça um acesso ao L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração.
Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com o número de páginas.
Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O. através de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada – L.A.P.I.S. Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema já disponibilizaram vários títulos e upgrades utilizando a plataforma L.I.V.R.O.

*Millôr Fernades *

Instantes…

Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito,

relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.

Porque se não sabem, disso é feita a vida,
só de momentos; não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva
e um pára-quedas e, se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, vejam, tenho 85 anos e estou morrendo”

Jorge Luís Borges

Chuva….

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Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.
Tenho uma grande tristeza

Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.
Porque verdadeiramente

Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.

Fernando Pessoa

Momentos…

kima126.jpg“Não te guies só pelas aparências

elas podem te enganar…

Não busque apenas a riqueza,

isto também devanece…

Busque por aquela pessoa que te faça sorrir…

Basta um sorriso para que se tenha luz num dia escuro 

E se este sorriso abrir o teu coração,

Pode estar certo de que finalmente o  amor chegou… “

 (portaldarte.com.br)

Simplicidade…

imagem-313.jpg“Alguns poetas cantam as estrelas
Outros mistérios abissais
Até há os que ninguém entende
Mas são do grande baralho
Quanto a mim, poeta chinfrim,
Coube cavar o dia a dia
Na ilusão de encontrar
Entre o refugo e o cascalho
Uma lasquinha de poesia.”

(Ulisses Tavares)

* Esse poema é tão simples e tão verdadeiro. Nesse mundo, onde cada dia é mais difícil sorrir, e temos tantos problemas a resolver, procuramos no nosso dia a dia uma lasquinha de poesia para nos dar força e ajudar a enfrentá-lo…

Everybody Hurts

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When your day is long
And the night – the night is yours alone
When you’re sure you’ve had enough of this life
Hang on

Don’t let yourself go
’cause everybody cries
and everybody hurts, sometimes

Sometimes everything is wrong
Now it’s time to sing along
When your day is night alone (hold on, hold on)
If you feel like letting go (hold on)
If you think you’ve had too much of this life
Hang on

‘Cause everybody hurts
Take comfort in your friends
Everybody hurts
Don’t throw your hand, oh no
Don’t throw your hand
If you feel like you’re alone
no, no, no, you’re not alone

If you’re on your own in this life
The days and nights are long
When you think you’ve had too much of this life, to hang on

Well, everybody hurts
sometimes, everybody cries
And everybody hurts, sometimes
But everybody hurts, sometimes
So hold on, hold on, hold on, hold on, hold on,
hold on, hold on, hold on

Everybody hurts

You’re not alone

( R.E.M – Automatic For The People- 1992)

 *Originado de uma amizade escolar entre o baixista Mike Mills e o baterista Bill Berry, o R.E.M. moldou-se em sua formação original quando Michael Stipe e Peter Buck foram convidados para integrar a banda. Começando a tocar covers de Searchers e Sex Pistols no início dos anos 80, já no primeiro álbum, de 81, conseguiram alguma repercussão recebendo elogios da crítica. Seguiram a trajetória ascendente emplacando inúmeros sucessos e consolidando-se como uma das mais populares bandas de rock. Estiveram pela primeira vez apresentando-se no Brasil na 3ª versão do Rock In Rio.

Fala-nos do amor…

“Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.
E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra.
Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.
Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser o pão sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes o coração da Vida.
Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos, e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.
O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.
O amor não possui nem quer ser possuido.
Porque o amor basta ao amor.
E não penseis que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher, marcará ele o vosso curso.
O amor não tem outro desejo senão consumar-se.
Mas se amarem e tiverem desejos, deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.
Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.
Acordar de manhã com o coração cheio e agradecer outro dia de amor.
Descansar ao meio dia e meditar no êxtase do amor.
Voltar a casa ao crepúsculo e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado,
e na boca, um canto de louvor.

( Kahlil Gibran )

Guardador de Rebanhos

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Sou um guardador de rebanhos.

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la

E comer um fruto é saber-lhe o sentido.


Por isso quando num dia de calor

Me sinto triste de gozá-lo tanto,

E me deito ao comprido na erva,

E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,

Sei a verdade e sou feliz.

               Fernando Alberto Reis de Campos Pessoa    1888 – 1935

3182.jpgA vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente….

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.”

Mário Quintana

A LISTA

Éssa é a introdução que está no livro…

“Muito além dos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.
Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande idéia.
Este planeta tem – ou melhor, tinha – o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.
E assim o problema continuava sem solução. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.
Um número cada vez maior de pessoas Acreditava que havia sido um erro terrível da espécie descer das árvores. Algumas diziam que até mesmo subir nas árvores tinha sido uma péssima idéia, e que ninguém jamais deveria ter saído do mar.
E, então, uma quinta-feira, quase dois mil anos depois que um homem foi pregado num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais umas com as outras para variar, uma garota, sozinha numa pequena lanchonete em Rickmansworth, de repente compreendeu o que tinha dado errado todo esse tempo e finalmente descobriu como o mundo poderia se tornar um lugar bom e feliz. Desta vez estava tudo certo, ia funcionar, e ninguém teria que ser pregado em coisa nenhuma.
Infelizmente, porém, antes que ela pudesse telefonar para alguém e contar sua descoberta, aconteceu uma catástrofe terrível e idiota e a idéia perdeu-se para todo o sempre.
Esta não é a história dessa garota.”
É a história daquela catástrofe terrível e idiota, e de algumas de suas conseqüências.
É também a historia de um livro, chamado O Mochileiro das Galáxias – um livro que não é da Terra, jamais foi publicado na Terra e, até o dia em que ocorreu a terrível catástrofe, nenhum terráqueo jamais o tinha visto ou sequer ouvido falar dele.
Apesar disso, é um livro realmente extraordinário.
Na verdade, foi provavelmente o mais extraordinário dos livros publicados pelas grandes editoras de Ursa Menor – editoras das quais nenhum terráqueo jamais ouvira falar, também.
O livro é não apenas uma obra extraordinária como também um tremendo best-seller – mais popular que a Enciclopédia Celestial do Lar, mais vendido que Mais Cinqüenta e Três Coisas para se Fazer em Gravidade Zero, e mais polemico que a colossal trilogia filosófica de Oolonn Colluphid, Onde Deus Errou, Mais Alguns Grandes Erros de Deus e Quem é Esse Tal de Deus Afinal?
Em muitas das civilizações mais tranquilonas da Borda Oriental da Galáxia, O Guia do Mochileiro das Galáxias já substituiu a grande Enciclopédia Galáctica como repositório padrão de todo conhecimento e sabedoria, pois ainda que contenha muitas omissões e textos apócrifos, ou pelo menos terrivelmente incorretos, ele é superior à obra mais antiga e mais prosaica em dois aspectos importantes.

Em primeiro lugar, é ligeiramente mais barato; em segundo lugar, traz impressa na capa, em letras garrafais e amigáveis, a frase NÃO ENTRE EM PÂNICO.(…)

 

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A irreverente série “O Guia do Mochileiro das Galáxias” figurou por muito tempo entre os dez maiores best-sellers ao redor do mundo (chegou mesmo a estar em primeiro lugar por duas vezes consecutivas aqui mesmo, no Brasil).

Recheada de elementos de Ficção-Científica old school e com o melhor do mais puro humor britânico, a série é um cult moderno. Seus personagens, os mais cômicos e bizarros de tudo o que há na história. Um humano que foi despejado de sua casa para a construção de uma auto estrada; um alienígena disfarçado que vivia entre os humanos muito atrapalhado e o mochileiro de plantão; uma humana que caiu numa cantada ridícula do presidente do universo, e por isso foi embora com ele da Terra; e Marvin, um robô depressivo-suicida-psicótico. E é essa turma que vai guiá-lo nesta aventura pelo Universo…

A série é composta por cinco livros:

· O Guia do Mochileiro das Galáxias
·
O Restaurante no Fim do Universo
·
A Vida, o Universo e Tudo Mais
·
Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes!
·
Praticamente Inofensiva

Douglas Adams nasceu em Cambridge, Inglaterra, em 1952 e faleceu em 2001.
Considerado por muitos como um dos autores mais perspicazes de nossos tempos,ele também se envolveu profundamente com a literatura e a ciência. Escreveu um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, que vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado… Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da ” alta cultura ” e de diversas instituições atuais. A genialidade de Douglas Adams e a forma como ele usa as situações mais absurdas para nos fazer rir em seus livros, que trata em última instância da busca do sentido da vida , não só diverte como também faz pensar .

Sonhos…

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“Há quem diga que todas as noites são de sonhos…
Mas há também quem garanta que nem todas…
só as de verão…

Mas no fundo isso não tem muita importância…
O que interessa mesmo
não são as noites em si…
São os sonhos…

Sonhos que o homem sonha sempre…
Em todos os lugares,
em todas as épocas do ano…
Dormindo ou acordado…”

…Shakespeare…

00026pzq.jpg (… Foi então que apareceu a raposa.
- Olá, bom dia! – disse a raposa.
- Olá, bom dia! – respondeu delicadamente o pequeno príncipe que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira.
- Quem és tu? – perguntou o principezinho. – És bem bonita…
- Sou uma raposa – disse a raposa.
- Anda brincar comigo – pediu-lhe o principezinho. – Estou triste…
- Não posso ir brincar contigo – disse a raposa. – Não estou presa…
- AH! Então, desculpa! – disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
- O que é que “estar preso” quer dizer?
- Vê-se logo que não és de cá – disse a raposa. – De que é que tu andas à procura?
- Ando à procura dos homens – disse o principezinho. – O que é que “estar preso” quer dizer?
- Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar – disse a raposa. – É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas à procura de galinhas?
- Não – disse o principezinho. Ando à procura de amigos. O que é que “estar preso” quer dizer?
- É a única coisa que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. – Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços – disse a raposa. – Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo…
- Parece-me que estou a começar a perceber – disse o principezinho. – Sabes, há uma certa flor…tenho a impressão que estou presa a ela…
- É bem possivel – disse a raposa. – Vê-se cada coisa cá na Terra…
- OH! Mas não é da Terra! – disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
- Então, é noutro planeta?
- É.
- E nesse tal planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a achar-lhe alguma graça…E galinhas?
- Não.
- Não há bela sem senão…- disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve de nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo…
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor…Prende-me a ti! – acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava – respondeu o principezinho – mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer…
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós – disse a raposa. – Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? – perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto…
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora – disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito…São precisos rituais.
- O que é um ritual? – perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu – respondeu a raposa. – É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual, à quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
Foi assim que o principezinho prendeu a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! – exclamou a raposa – ai que me vou pôr a chorar…
- A culpa é tua – disse o principezinho.- Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim…
- Pois quis – disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! – disse o principezinho.
- Pois vou – disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! – disse a raposa. – Por causa da cor do trigo…
Depois acrescentou:
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada – disse-lhes ele. – Não há ninguém preso a vocês e vocês não estão presas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante incomodadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias – ainda lhes disse o principezinho. – Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sózinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a que eu reguei. Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo.. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu vi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para o pé da raposa e disse:
- Adeus…
- Adeus – disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos…
- O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade – disse a raposa. – Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa…
- Sou responsável pela minha rosa… – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.(…)
(Trecho do livro O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry)

Se…

borboleta1.jpg“Se eu pudesse deixar algum presente a você,
deixaria acesso ao sentimento de amar a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora….
Lembraria os erros que foram cometidos, como sinais
para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
alem do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação.

E, quando tudo mais faltasse, eu deixaria um segredo: O de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída.”

(Mahatma Ghandi)

Além do pão, o traba

1.Novelas Paulistanas: Brás, Bexiga e Barra Funda – Antonio de Alcântara Machado
2.A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade
3.O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo
4.Vidas Secas – Graciliano Ramos
5.Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa
6.Invenção de Orfeu – Jorge de Lima
7.Libertinagem – Manuel Bandeira
8.Macunaíma: O Herói sem Nenhum Caráter – Mário de Andrade
9.Reinações de Narizinho – Monteiro Lobato
10.Poesia Liberdade – Murilo Mendes
11.Dom Casmurro – Machado de Assis
12.Triste Fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto
13.Memórias Sentimentais de João Miramar – Oswald de Andrade
14.Morte e Vida Severina – João Cabral de Mello Neto
15.A Hora da Estrela – Clarice Lispector
16.Gabriela, Cravo e Canela – Jorge Amado
17.Crônicas da Casa Assassinada – Lúcio Cardoso
18.Os Sertões – Euclides da Cunha
19.O Ex-Mágico – Murilo Rubião
20.O Vampiro de Curitiba – Dalton Trevisan
21.Os Cavalinhos de Platiplanto – J.J. Veiga
22.A Coleira do Cão – Rubem Fonseca
23.Ópera dos Mortos – Autran Dourado
24.A Lua vem da Ásia – Campos de Carvalho
25.Histórias do Desencontro – Lygia Fagundes Telles
26.Canaã – Graça Aranha
27.A Menina Morta – Cornélio Penna
28.A Luta Corporal – Ferreira Gullar
29.O Conde e o Passarinho – Rubem Braga
30.Baú de Ossos – Pedro Nava
31.Jeremias sem Chorar – Cassiano Ricardo
32.Faróis – Cruz e Souza
33.Vestido de Noiva – Nelson Rodrigues
34.O Pagador de Promessa – Dias Gomes
35.Navalha na Carne – Plínio Marcos
36.A Moratória – Jorge Andrade
37.Mar Absoluto – Cecília Meireles
38.O Dialeto Caipira – Amadeu Amaral
39.Princípios de Lingüística Geral – Joaquim Matoso Câmara Júnior
40. A Unidade da România Ocidental – Theodoro Henrique Maurer Jr
41. Línguas Brasileiras: para o Conhecimento das Línguas Indígenas – Aryon DallIgna Rodrigues
42.Princípios da Economia Monetária – Eugênio Gudin
43.Inflação: Gradualismo e Tratamento de Choque – Mário Henrique Simonsen
44.Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro – Maria daConceição Tavares
45.A Inflação Brasileira – Ignácio Rangel
46.Quinze Anos de Política Econômica – Carlos Lessa
47.A Economia Brasileira em Marcha Forçada – Antônio Barros de Castro eFrancisco Eduardo Pires de Souza
48.História Econômica do Brasil, 1500-1808 – Roberto Cochrane Simonsen
49.Desenvolvimento Econômico e Evolução Urbana – Paul Singer
50.A Lanterna na Popa: Memórias – Roberto Campos
51.Tratado de Direito Privado – Pontes de Miranda
52.Código Civil dos Estados Unidos dos Brasil – Comentado – ClóvisBevilacqua
53.A Cultura Brasileira: Introdução ao Estudo da Cultura no Brasil -Fernando de Azevedo
54.Educação para a Democracia: Introdução à Adm. Educ. – Anísio SpinolaTeixeira
55.Pedagogia do Oprimido – Paulo Freire
56.História da Educação no Brasil – Otaíza Oliveira Romanelli
57.A Criança Problema – Arthur Ramos
58.José Bonifácio: História dos Fundadores do Império do Brasil – OctávioTarquínio de Sousa
59.Capítulos da História Colonial – 1500 – 1800 – João Capistrano de Abreu
60
.Evolução Política do Brasil e outros Estudos – Caio Prado Jr.
61.Formação Econômica do Brasil – Celso Furtado
62.Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Hollanda
63.Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial – Fernando A.Novais
64.Da Senzala à Colônia – Emília Viotti da Costa
65.Os Donos do Poder. Formação do Patronato Político Brasileiro – RaymundoFaoro
66.Olinda Restaurada – Guerra e Açúcar no Nordeste – 1630/1654 – EvaldoCabral de Mello
67.O Escravismo Colonial – Jacob Gorender
68.A Integração do Negro na Sociedade de Classes – Florestan Fernandes
69.Casa Grande & Senzala – Gilberto Freyre
70.Formação da Literatura Brasileira – Antônio Cândido
71.A Terra e o Homem no Nordeste – Manoel Correia de Andrade
72.O Colapso do Populismo no Brasil – Octávio Ianni
73.Populações Meridionais do Brasil: Hist. Org. Psicolog. – OliveiraVianna]
74.Teoria da História do Brasil – José Honório Rodrigues
75.Formação Histórica da Nacionalidade Brasileira – Manoel de OliveiraLima
76.O Espaço Dividido, os dois circuitos da economia urbana dos paísessubdesenvolvidos – Milton Santos
77.Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional – Fernando HenriqueCardoso
78.Aldeamentos Paulistas – Pasquale Petrone
79.O Messianismo no Brasil e no Mundo – Maria Isaura Pereira Queiroz
80.Os Africanos no Brasil – Nina Rodrigues
81.Bibliografia Crítica da Etnologia Brasileira
82.Tradição e Transição em uma Cultura Rural do Brasil – Emílio Willems
83.Aspectos Fundamentais da Cultura Guarani – Egon Schaden
84.Estudos Afro-Brasileiros – Roger Bastide
85.Povoamento da Cidade de Salvador – Thales de Azevedo
86.Os Índios e a Civilização – A Integração das Populações Indígenas noBrasil Moderno – Darcy Ribeiro
87.O índio e o Mundo dos Brancos. A situação dos Tukuma dos AltosSolimões – Roberto Cardoso deOliveira
88.Bahia: A Cidade do Salvador e seu Mercado no Século XIX – Kátia M. deQueirós Mattoso
89.O Brasil Nação. Realidade da Soberania Brasileira
90.A Organização Social – Alberto Torres
91.Contribuição à História das Idéias no Brasil – João Cruz Costa
92.Consciência e Realidade Social – Álvaro Vieira Pinto
93.Estudos de Literatura Brasileira – José Veríssimo
94.Construções Civis: Curso Professorado na Escola Politécnica de SãoPaulo – Alexandre Albuquerque
95.Cálculo de Concreto Armado – Telemaco Van Langendonck / AssociaçãoBrasileira de Cimento Portland,1944-1950
96.Sobre Arquitetura – Lúcio Costa
97.Dicionário de Arquitetura Brasileira – Eduardo Corono e Carlos Lemos
98.Dicionário das Artes Plásticas no Brasil – Roberto Pontual
99.História Geral da Arte no Brasil – Walter Zanini
100.Histologia Básica – Luis Carlos Uchoa Junqueira e Jose Carneiro.

Votação promovida em 1999 pela Câmara Brasileira do Livro

Brown Penny

eg-135.jpg“Eu sussurrei: “Sou jovem demais”
E depois: “ Sou velho o bastante”;
Assim sendo joguei uma moeda
Para descobrir se podia amar.

“Vá e ame, vá e ame rapaz
Se a moça for jovem e bela”
Ah, moeda, moeda marrom, moeda marrom,
Fui laçado nos laços dos cabelos dela.

O amor é tortuoso,
Ninguém é sábio o bastante
Para descobrir tudo que ele contém,
Pois ele ficaria pensando no amor.

Até que as estrelas tivessem fugido
E as sombras encoberto a lua.
Ah, moeda, moeda marrom, moeda marrom,
Ninguém começa cedo demais.”

William Butter Yeats (1865-1939)
Dramaturgo e poeta irlandes

Uma das minhas favoritas…

“…Sim já sei de onde venho…tudo o que

tocam as minhas mãos se torna luz e o

que lanço não é mais do que carvão.

Certamente, sou uma chama!” -

Friedrich Nietzsche,
(1844-1900) foi um influente filósofo alemão do século XIX

Não deixe de ler “Quando Nietzsche chorou”

O romance de estréia de Irvin Yalom, psicoterapeuta e professor de psiquiatria na Universidade de Stanford, combina personagens reais da Europa do fim do século XIX com ficção. Trata do encontro entre Nietzsche, Freud e Josef Bauer. Lou Salomé promove um encontro entre o médico Bauer e Nietzsche, pois o filósofo sofre de um mal desconhecido. O encontro entre a psicanálise, a filosofia e a literatura torna-se inevitável neste romance inteligente.

Saber viver…

   “Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome… Auto-estima
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é… Autenticidade.
       Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de… Amadurecimento.
       Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é… Respeito.
       Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável: Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama… Amor-próprio.
       Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… Simplicidade.
       Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas vezes menos. Hoje descobri a… Humildade.
      Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… Plenitude.
      Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.

                          Tudo isso é… Saber viver!” ( Charles Chaplin )

 

 

Picasso…

Pablo Picasso

Pintor espanhol naturalizado francês. Considerado por muitos o maior artista do século XX. Era também escultor, artista gráfico e ceramista.

A mulher dos cabelos amarelos (1930) – A obra fica no museu Guggenheim em Nova York

1º – Ulisses (1922) – James Joyce (1882-1941). Retomando parodicamente a obra fundamental do gênero épico -a “Odisséia”, de Homero-, “Ulisses” pretende ser uma súmula de todas as experiências possíveis do homem moderno. Ao narrar a vida de Leopold Bloom e Stephen Dedalus ao longo de um dia em Dublin (capital da Irlanda), o autor irlandês rompeu com todos as convenções formais do romance: criação e combinação inusitada de palavras, ruptura da sintaxe, fragmentação da narração, além de praticamente esgotar as possibilidades do monólogo interior. Para T.S. Eliot, o mito de Ulisses serve para Joyce dar sentido e forma ao panorama de “imensa futilidade e anarquia da história contemporânea”.
2º – Em Busca do Tempo Perdido (1913-27) - Marcel Proust (1871-1922). Ciclo de sete romances do escritor francês, inter-relacionados e com um só narrador, dos quais os três últimos são póstumos: “O Caminho de Swann”, “À Sombra das Raparigas em Flor”, “O Caminho de Guermantes”, “Sodoma e Gomorra”, “A Prisioneira”, “A Fugitiva” e “O Tempo Redescoberto”. Ampla reflexão sobre a memória e o poder dissolvente do tempo, o ciclo se apóia em fatos mínimos que induzem o narrador a resgatar seu passado, ao mesmo tempo em que realiza um painel da sociedade francesa no fim do século 19 e início do 20.
3º – O ProcessoFranz Kafka (1883-1924). Na obra-prima do escritor tcheco de língua alemã, o bancário Josef K. é intimado a depor em um processo instaurado contra ele. Mas, enredado em uma situação cada vez mais absurda, Joseph K. ignora de que é acusado, quem o acusa e mesmo onde fica o tribunal.
4º – Doutor Fausto (1947) – Thomas Mann. Biografia imaginária do compositor alemão Adrian Leverkühn, escrita por seu amigo Serenus Zeitblom durante o desenrolar da Segunda Guerra Mundial. Nela, o autor, para recontar o pacto fáustico com o diabo, se vale de aspectos da vida de Nietzsche, da teoria dodecafônica de Shoenberg e do auxílio teórico do filósofo Adorno. O alemão Thomas Mann, filho de uma brasileira, recebeu o Prêmio Nobel em 1929.
5º – Grande Sertão: Veredas (1956)- Guimarães Rosa (1908-1967). No sertão do Norte de Minas, o jagunço Riobaldo conta para um interlocutor, cujo nome não é revelado, a história de sua vida de guerreiro e de seu amor pelo jagunço Diadorim -na verdade, uma mulher disfarçada de homem para vingar o pai morto em luta. A escrita de permanente invenção de Guimarães Rosa (feita de neologismos, arcaísmos, transfigurações da sintaxe) reelabora a expressão oral e os mitos do interior do país a fim de criar um quadro épico e metafísico do sertão
6º – O Castelo (1926) – Franz Kafka. Em busca de trabalho, o agrimensor K. chega a uma aldeia governada por um déspota que habita um castelo construído no alto da colina. Submetida a leis arbitrárias, a população passa a hostilizá-lo. Kafka morreu antes de concluí-lo.
7º – A Montanha Mágica (1924) – Thomas Mann (1875-1955). Imagem simbólica da corrosão da sociedade européia antes da Primeira Guerra. Ao visitar o primo em um sanatório, Hans Castorp acaba por contrair tuberculose. Permanece internado por sete anos, vivendo em um ambiente de requinte intelectual, em permanente debate com idéias filosóficas antagônicas, até que decide partir para o front.

8º – O Som e a Fúria (1929) – William Faulkner (1897-1962). Edições Dom Quixote (Portugal). No condado imaginário de Yoknapatawpha, no sul dos EUA, a vida da decadente família Compson é narrada por quatro personagens distintos, todos obcecados pela jovem Caddy, neste romance em que a linguagem se amolda à consciência de cada personagem. O americano Faulkner ganhou o Prêmio Nobel em 1949.
9º – O Homem sem Qualidades (1930-1943) – Robert Musil (1880-1942).
Nova Fronteira Fio condutor do enredo, o ex-oficial Ulrich é repleto de dotes intelectuais, mas incapaz de encontrar uma finalidadeem que aplicá-los. De caráter ensaístico, a obra é uma vasta reflexão sobre a crise social e espiritual do século 20.
10º – Finnegans Wake Finnegans Wake (1939) – James Joyce
. Penguin (EUA). No Brasil, trechos do livro em “Panaroma do Finnegans Wake” (Ed. Perspectiva). Joyce criou nesta obra, que radicaliza seu experimentalismo linguístico, provavelmente o mais complexo texto do século. A narrativa, repleta de referências simbólicas, mitológicas e linguísticas que tornam a leitura um desafio permanente, gira em torno do personagem Humphrey Chimpden Earwicker (HCE) e sua mulher Ana Lívia Plurabelle (ALP), que vivem em Dublin.
11º – A Morte de Virgílio (1945) – Hermann Broch (1886-1951).
Relógio d’Água (Portugal). Escritor austríaco. Concebida enquanto o autor estava preso pelos nazistas, a obra é um longo monólogo interior do poeta latino Virgílio.
12º – Coração das Trevas (1902) – Joseph Conrad (1857-1924)
. Ediouro Escritor ucraniano de língua inglesa. Em busca de um mercador de marfim que desapareceu na selva africana, o capitão Marlowe o encontra inteiramente louco e cultuado como um deus pelos nativos.
13º – O Estrangeiro (1942) – Albert Camus (1913-1960). Record . Obra que consagrou o autor francês de origem argelina (Nobel de 1957) ao tratar do absurdo da existência. Aparentemente sem motivação -”por causa do sol”-, Mersault mata um árabe durante passeio pela praia. Julgado e condenado à morte, resigna-se a seu destino.
14º – O Inominável (1953) – Samuel Beckett (1906-1989). Nova Fronteira . Conclusão da trilogia do dramaturgo irlandês, após “Molloy” e “Malone Morre”. Reduzido a uma condição precária de existência -sem nome-, o narrador busca se apropriar da identidade de dois outros personagens, Mahood e Worm. Beckett ganhou o Nobel em 1969.
15º – Cem Anos de Solidão (1967) – Gabriel García Márquez (1928). Record . Colombiano, ganhou o Nobel em 1990. A saga de duas famílias no povoado fictício de Macondo é o pretexto para o autor construir uma alegoria da situação da América Latina. Obra que projetou internacionalmente o “realismo mágico”.
16º – Admirável Mundo Novo (1932) – Aldous Huxley (1894-1963). Globo . Inglês. Alegoria sobre as sociedades administradas e sem liberdade. Em um futuro indefinido, todos os nascimentos são “de proveta” e os cidadãos são vigiados. Nascido de uma mulher, John se torna uma ameaça por sua diferença.
17º – Mrs. Dalloway (1925) – Virginia Woolf (1882-1941). Penguin Books (EUA). Inglesa. A partir de um fato banal -a compra de flores para uma festa-, Mrs. Dalloway relembra sua vida -como a relação com a filha e uma antiga paixão.
18º – Ao Farol (1927) – Virginia Woolf. Ediouro . Um passeio da família Ramsay a um farol, frustrada pelo mau tempo, torna-se imagem da sensação de perda que percorre a obra: logo após irrompe a Primeira Guerra e a morte atingirá os Ramsay.
19º – Os Embaixadores (1903) – Henry James (1891-1980). Oxford University Press (“The Embassadors”, Reino Unido). Tema central do escritor americano, o confronto entre a mentalidade puritana dos EUA a cultura “fin-de-siècle” européia dá o tom nesta história sobre americano que vai a Paris para trazer de volta rapaz seduzido pela capital francesa.
20º – A Consciência de Zeno (1923) – Italo Svevo (1861-1928). Minerva (Portugal). Após várias tentativas malogradas para deixar de fumar, Zeno Cosini segue o conselho de seu psicanalista e decide escrever a história de sua vida, fazendo um retrato impiedoso da burguesia italiana.
21º – Lolita (1958) – Vladimir Nabokov (1899-1977). Cia. das Letras . Russo naturalizado americano. O professor quarentão Humber apaixona-se pela adolescente Lolita. Para tê-la próxima, casa-se com sua mãe, que morre em um acidente de carro. Os dois se tornam então amantes.
22º – Paraiso (1960) – José Lezama Lima
(1910-1976). Scipione. Cubano. Após a morte do pai e o fim do “paraíso” familiar, José Cemí conhece Oppiano Licario, que o inicia na poesia. Obra marcada apelo experimentalismo lingüístico.
23º – O Leopardo (1958) – Tomaso di Lampedusa (1896-1957). L&PM . Único romance do autor italiano. No século 19, em uma Sicília dominada por clãs familiares, o aristocrático Fabrizio Salina recusa-se a ver a decadência de sua classe, anunciada pelas convulsões sociais que vão levar a Itália à unificação.
24º – 1984 (1949) – George Orwell (1903-1950). Companhia Editora Nacional . Inglês. Nesta sombria alegoria passada em futuro que seria o ano de 1984, cidadãos estão submetidos à autoridade onipresente do “Big Brother” e proibidos de manifestar sua individualidade.
25º – A Náusea (1938) – Jean-Paul Sartre (1905-1980). Nova Fronteira . Nesta obra que tornou o filósofo Sartre mundialmente conhecido, o herói Roquentin, sentado num banco de praça em uma cidade do interior, subitamente deixa de ver sentido no mundo e passa a ter consciência do “mal-estar de existir”. Francês, Sartre recusou o Nobel em 64.
26º – O Quarteto de Alexandria (1957-1960) – Lawrence Durrell (1912-1990). Ulisseia (Portugal). Inglês de origem indiana. Tetralogia em que a mesma história de política, amor e perversão é contada de quatro óticas diferentes, em quatro diferentes romances : “Justine”, “Balthazar”, “Mountolive” e “Clea”.
27º – Os Moedeiros Falsos (1925) – André Gide (1869-1951). Gallimard (“Les Faux-Monnayeurs”, França). Edouard mantém um “diário do romance”, a partir do qual pretende escrever um romance -”Moedeiros Falsos”. A obra criou o “mise-en-abîme” -técnica em que a personagem se duplica dentro do romance. Francês, recebeu o Nobel em 1947.
28º – Malone Morre (1951) – Samuel Beckett. Edições Dom Quixote (Portugal). Segundo livro da trilogia do autor. Moribundo em um leito de hospital, Malone reflete sobre sua vida.
29º – O Deserto do Tártaros (1940) – Dino Buzzati (1906-1972). Mondadori (“Il Deserto dei Tartari”, Itália) Italiano. O tenente Drogo é enviado ao longínquo e decadente forte Bastiani, situado na fronteira pacificada de um país que nunca é nomeado. Lá, todos aguardam há décadas o ataque improvável dos tártaros e a desilusão se torna regra.
30º – Lord Jim (1900) – Joseph Conrad (1857-1924). Publicações Europa-América (Portugal). Conrad narra a história de um marinheiro atormentado pelo remorso de ter permitido o naufrágio de seu navio.
31º – Orlando (1928) – Virginia Woolf. Ediouro . A autora inglesa imagina sua amiga, a também escritora Vita-Sackville West, vivendo nos três séculos anteriores.
32º – A Peste (1947) – Albert Camus. Record . Epidemia assola Orán, na Argélia. A cidade é isolada e muitos morrem. Escrita logo após o fim da Segunda Guerra, a obra reflete sobre como indivíduos reagem à morte iminente, ao isolamento e ao vácuo de sentido que se abre em suas vidas.
33º – O Grande Gatsby (1925) – Scott Fitzgerald (1896-1940). Relógio d’Água (Portugal). Americano. Vivendo de negócios ilícitos, Jay Gatsby revê antiga paixão, Daisy, agora casada com o milionário Tom Buchanan. Tornam-se amantes, mas Daisy e o marido acabarão por envolver Gatsby em intriga que o levará a um fim trágico.
34º – O Tambor (1959) – Günter Grass (1927). Vintage Books (“The Tin Drum”, EUA). Obra em que o autor alemão narra a ascensão do nazismo. Internado em um manicômio, Oskar relembra sua vida desde os três anos, quando decidiu parar de crescer por ódio aos pais e ao mundo adulto.
35º – Pedro Páramo (1955) – Juan Rulfo (1918-1986). Paz e Terra (R$ 19,50). Mexicano. Nesta obra que prenuncia o “realismo mágico”, Juan chega a Comala em busca do paradeiro do pai, Pedro Páramo. Mas, ao descobrir que o povoado é habitado apenas por mortos, Juan morre aterrorizado. Enterrado, outros fantasmas irão lhe contar a vida de seu pai.
36º – Viagem ao Fim da Noite (1932) – Louis-Ferdinand Céline (1894-1961). Cia. das Letras (R$ 30,00). Francês. Após ser ferido na Primeira Guerra, Bardamu conhece a americana Lola, com quem viaja para os EUA. Passado na França, África e nos EUA, a obra critica as guerras e o colonialismo.
37º – Berlin Alexanderplatz (1929) – Alfred Döblin (1878-1957). Rocco (R$ 42,00). Alemão. Obra que abriu novas possibilidades ao gênero ao utilizar técnicas de montagem e justaposição para construir, nos anos 20, uma Berlim multifacetada, por onde transitam personagens esmagadas pela engrenagem social.
38º – Doutor Jivago (1957) – Boris Pasternak (1890-1960). Itatiaia (R$ 15,90). Um amplo painel da Rússia nas três primeiras décadas deste século, desde a crise do czarismo até a implantação do comunismo. O autor foi perseguido pelo regime comunista soviético, que o forçou a recusar o Prêmio Nobel de 1958.
39º – Molloy (1951) – Samuel Beckett (1906-1989). Nova Fronteira (R$ 19,00). Primeiro obra da trilogia. Relembrando suas viagens, os narradores Molloy e Moran revelam-se a mesma pessoa, e as viagens, a busca da identidade perdida.
40º – A Condição Humana (1933) – André Malraux (1901-1976). Record (R$ 28,00). Ambientado em Xangai (China), o romance dramatiza os primeiros levantes da Revolução Chinesa, em 1927. Francês, Malraux foi ministro da Cultura de Charles de Gaulle.
41º – O Jogo da Amarelinha (1963) – Julio Cortázar (1914-1984). Civilização Brasileira (R$ 41,00). Argentino. A vida de Oliveira em Paris é o pretexto para o autor criar um dos romances mais ousados do século 20. Ao propor possibilidades da leitura dos capítulos fora da ordem sequencial, o narrador delega ao leitor a capacidade de também “construir” o romance.
42º – Retrato do Artista Quando Jovem (1917) – James Joyce. Ediouro (R$ 19,90). De caráter autobiográfico, a obra investiga o processo de formação do artista ao longo da infância e adolescência do personagem Stephen Dedalus, que será um dos personagens centrais de “Ulisses”.
43º – A Cidade e as Serras (1901) – Eça de Queirós (1845-1900). Ediouro (R$ 7,80). Principal autor do realismo português, Eça põe em cena a dicotomia entre campo e cidade, ao contar a história de dois amigos, um entusiasta da moderna Paris e outro da vida bucólica em Portugal.

44º – Aquela Confusão Louca da Via Merulana (1957) - Carlo Emilio Gadda (1893-1973). Record (R$ 11,00). Neste romance “policial” sobre um roubo de jóias, ambientado nos primeiros anos do fascismo, o autor italiano radicaliza o uso de jargões, gírias e dialetos.
45º – As Vinhas da Ira (1939) – John Steinbeck (1902-1968).
Record (R$ 22,00). Americano, ganhou o Nobel de 1962. Marcada por forte crítica social, obra narra a saga de uma família de camponeses em busca de trabalho na Califórnia.
46º – Auto de Fé (1935) – Elias Canetti (1905-1994).
Nova Fronteira (R$ 42,00). Búlgaro de língua alemã, ganhou o Nobel de 1981. Obcecado desde a infância pela idéia de ler e saber tudo, o professor Kien acaba por morrer queimado em um incêndio de seus 100 mil livros.
47º – À Sombra do Vulcão (1947) – Malcolm Lowry (1909-1957).
Ed. Siciliano (R$ 27,00). Inglês. Incorporando técnicas da linguagem cinematográfica -como flashbacks e justaposição de imagens e pensamentos-, a obra narra o périplo de um velho cônsul alcoólatra por uma cidadezinha do México.
48
º – O visconde Partido ao Meio (1952)- Italo Calvino (1923-1985). Companhia das Letras. Italiano nascido em Cuba. Alegoria sobre visconde que, partido ao meio durante uma batalha, passa a viver só com a metade de seu corpo que restou, até que a outra metade decide reaparecer.
49º – Macunaíma (1928) – Mário de Andrade (1893-1945).
Scipione e Villa Rica . Obra de ficção mais importante do modernismo brasileiro, “Macunaíma”, “o herói sem nenhum caráter”, sincretiza o que Mário de Andrade considerava as características do povo brasileiro: índio, negro e branco, desleal, ambicioso, coração mole, corajoso, mas preguiçoso.
50º – O Bosque das Ilusões Perdidas (1913) – Alain Fournier (1886-1914). Relógio d’Água (Portugal). A partir da paixão de um estudante por uma aldeã, o autor francês constrói uma fábula poética sobre a passagem da infância à adolescência.
51º – Morte a Crédito (1936) – Louis-Ferdinand Céline (1894-1961). Nova Fronteira . Fugindo da miséria, Ferdinand deixa sua casa e se envolve com um inventor fantástico que criou uma forma de plantio “rádio-telúrico”, que provoca a ira dos agricultores do interior da França. A obra radicalizou o experimentalismo linguístico de “Viagem ao Fim da Noite”.
52º – O Amante de Lady Chatterley (1928) – D.H. Lawrence (1885-1930). Graal . Proibido na Inglaterra por 32 anos, acusado de obscenidade, o romance narra a paixão avassaladora entre a mulher de um aristocrata inglês e um guarda-caça.
53º – O Século das Luzes (1962) – Alejo Carpentier (1904-1980). Global . Cubano. Publicada a princípio em francês, essa crônica histórica se passa na ilha antilhana de Guadalupe, onde comerciante tenta impor os ideais da Revolução Francesa (1789) em curso na Europa.
54º – Uma Tragédia Americana (1925) – Theodore Dreiser (1871-1945). New America Library (“An American Tragedy”, EUA). Escritor americano. Jovem ambicioso e arrivista planeja matar a namorada que pode impedir sua ascensão social. Deixa a idéia de lado, mas a moça acaba morrendo e ele é acusado.
55º – América (1927) – Franz Kafka. Livros do Brasil (Portugal). Obra inacabada de Kafka, publicada três anos após sua morte, conta a história de jovem que é enviado aos EUA pelos pais depois de engravidar uma empregada.
56º – Fontamara (1930) – Ignazio Silone (1900-1978). Europa-América (Portugal). Italiano. A obra gira em torno do recenseamento de camponeses feito pelos fascistas após subirem ao poder. Obra que influenciou o cinema neo-realista.
57º – Luz em Agosto (1932) Willian Faulkner. Livros do Brasil (Portugal). A obra enfoca a tensão racial no sul dos EUA a partir da história de Joe Christmas, que, por ser mulato, não consegue se integrar nem ao mundo dos negros nem ao dos brancos.
58º – Nostromo (1904) – Joseph Conrad. Record. Em país fictício da América do Sul à beira de uma revolução, o marujo Nostromo salva carga em vias de cair em mãos de rebeldes. Debelada a revolta, sua proeza é desprezada pelos companheiros. Resolve então ocultar a carga.
59º – A Vida – Modo de Usar (1978) – Georges Perec (1936-1982). Companhia das Letras . Partindo da idéia do quebra-cabeças, o livro relaciona as vidas e experiências dos moradores de um edifício em Paris. Perec participou do grupo de experimentação literária OuLiPo, de Raymond Queneau.
60º – José e Seus Irmãos (1933-1943) – Thomas Mann. Ed. Nova Fronteira . Tetralogia baseada na narrativa bíblica de Jacó, vendido pelos irmãos aos israelitas: “A História de Jacó”, “O Jovem José”, “José no Egito” e “José, o Provedor”.
61º – Os Thibault (1921-1940) – Roger Martin du Gard (1881-1958). 2 vols. Ed. Globo . Neste ciclo de oito romances, os grandes temas do entre-guerras, como o declínio do espírito religioso e a desilusão com o socialismo, são encenados por meio da trajetória de dois irmãos. Francês, ganhou o Prêmio Nobel em 1937.
62º – Cidades Invisíveis (1972) – Italo Calvino (1923-1985). Companhia das Letras . O viajante veneziano Marco Polo descreve a Kublai Khan, de modo fabular e fantasioso, as incontáveis cidades do império do conquistador mongol.
63º – Paralelo 42 (1930) – John dos Passos (1896-1970). Ed. Rocco . Inaugurando a trilogia “USA”, formada ainda por “1919″ e “Dinheiro Graúdo”, a obra do autor americano descendente de portugueses traça um painel da América nas primeiras décadas do século.
64º – Memórias de Adriano (1951) – Marguerite Yourcenar (1903-1987). Ed. Nova Fronteira . Escritora belga. No século 2º d.C., o imperador romano Adriano, próximo da morte, faz um balanço de sua existência em carta ao jovem Marco Aurélio.
65º – Passagem para a Índia (1924) – E.M. Forster (1879-1970). Publicações Europa-América (Portugal). Inglês. Na Índia sob dominação britânica, um nacionalista hindu é acusado por uma inglesa de praticar atos imorais. É preso e levado a julgamento.
66º – Trópico de Câncer (1934) – Henry Miller. Ibrasa – Instituição Brasileira de Difusão Cultural . De caráter autobiográfico, a obra recria o clima de liberdade e inconformismo de artistas e escritores americanos que viviam em Paris no entre-guerras.
67º – Enquanto Agonizo (1930) – William Faulkner. Ed. Exped . O périplo da família Bundren para enterrar a mãe em Jefferson é um pretexto para virem à tona -na consciência das personagens- as desavenças entre irmãos, pai e tios.
68º – As Asas da Pomba (1902) – Henry James (1843-1916). Ediouro . Rapaz é estimulado pela amante maquiavélica a cortejar uma milionária que está à beira da morte.
69º – O Jovem Törless (1906) – Robert Musil. Ed. Nova Fronteira . Alemão. Descreve a vida de adolescentes em um internato alemão, onde a severidade do sistema educacional conjuga-se à brutalidade do comportamento dos alunos.
70º – A Modificação (1957) – Michel Butor (1926). Minuit (“La Modification”, França). Narrado inteiramente na segunda pessoa do plural, o livro conta a história de homem que, em um trem, a caminho de encontrar a amante em Roma, divide-se entre o amor dela e o de sua mulher.
71º – A Colméia (1951) – Camilo José Cela (1916). BCD União de Editoras . Espanhol, ganhou o Nobel de 1989. Diversos personagens e histórias se cruzam neste livro em que a verdadeira personagem é a cidade de Madri (Espanha), logo após a Segunda Guerra.
72º – A Estrada de Flandres (1960) – Claude Simon (1913). Ed. Nova Fronteira . O francês Claude Simon, ligado ao movimento do “roman nouveau” (novo romance), evoca neste livro a derrota da França pelos nazistas em 1940. Ganhou o Prêmio Nobel em 1985.
73º – A Sangue Frio (1966) – Truman Capote (1924-1984). Livros do Brasil (Portugal). Enviado como jornalista para cobrir um crime real, o autor americano criou um novo gênero -o romance-documento-, que insere na ficção a investigação sistemática da reportagem.
74º – A Laranja Mecânica (1962) – Anthony Burgess (1916-1993). Ediouro . Em uma cidade imaginária, o líder de uma gangue de vândalos é preso e submetido a lavagem cerebral para “descriminalizá-lo”. Escritor britânico.
75º – O Apanhador no Campo de Centeio (1951) – J.D. Salinger (1919). Editora do Autor . O americano Salinger retrata o vazio da classe média americana e os dilemas típicos da adolescência nos anos 50 a partir da história de um jovem que vaga sem rumo por Nova York.
76º – Cavalaria Vermelha (1926) – Isaac Babel (1894-1941). Ediouro . De grande força épica, o livro narra a vida repleta de massacres e violência dos soldados russos -os cossacos.
77º – Jean Christophe (1904-12) – Romain Rolland (1866-1944). Ed. Globo . Biografia imaginária de um músico alemão que vai viver na França, mas acaba se decepcionando com a frivolidade da cultura do país.
78º – Complexo de Portnoy (1969) – Philip Roth (1933). Editora L&PM . Americano. Conceito da psiquiatria, “Complexo de Portnoy” tem como eixo garoto judeu obcecado pela mãe e em busca de satisfação sexual, o que acaba por aumentar seu complexo de culpa.
79º – Nós (1924) – Evgueni Ivanovitch Zamiatin (1884-1937). Ed. Antígona (Portugal). O escritor russo satiriza o regime comunista soviético por meio de uma cidade imaginária onde não existem nem individualismo nem liberdade.
80º – O Ciúme (1957) – Allain Robbe-Grillet (1922). Ed. Minuit (“La Jalousie”, França). Francês. Nesta obra-chave do “nouveau roman”, um narrador paranóico investiga a suposta traição da mulher.
81º – O Imoralista (1902) – André Gide (1869-1951). Ed. Gallimard (“L’Imoraliste”, França). Escritor francês. Criado na estrita moral puritana, Michel busca a auto-realização, o que resulta no sacrifício daqueles que o cercam, como a sua mulher.
82º – O Mestre e Margarida (1940) – Mikhail Afanasevitch (1891-1940). Ed. Ars Poética . Escritor russo. Voland -a encarnação do diabo- é internado em um manicômio ao desmascarar os abusos e favoritismos da sociedade russa dos anos 20.
83º – O Senhor Presidente (1946) – Miguel Ángel Asturias (1899-1974). Ed. Losada (“El Señor Presidente”, Argentina). Ganhador do Nobel de 1967, o guatemalteco se tornou um dos pioneiros do “realismo mágico” com esta obra que satiriza um ditador sul-americano.
84º – O Lobo da Estepe (1927) – Herman Hesse (1877-1962). Ed. Record . Escritor alemão. Solitário e em crise existencial, o escritor Harry Haller acaba por conhecer duas pessoas que vão incitá-lo a aceitar a vida em toda a sua plenitude.
85º – Os Cadernos de Malte Laurids Bridge (1910) – Rainer Maria Rilke (1875-1926). Editora Siciliano . Escritor alemão. Intelectual reflete em seu diário sobre a morte e a busca de Deus enquanto se recupera de uma doença.
86º – Satã em Gorai (1934) – Isaac B. Singer (1904-1991). Ed. Perspectiva . No século 17, em uma aldeia da Polônia assediada por tropas inimigas, um falso messias anuncia a redenção próxima. Polonês de língua inglesa, Singer recebeu o Prêmio Nobel em 1978.
87º – Zazie no Metrô (1959) – Raymond Queneau (1903-1976). Ed. Rocco . Francês, criador nos anos 60 do grupo de experimentação literária OuLiPo. Enquanto o metrô está em greve, Zazie percorre a cidade de Paris, partilhando a experiência de personagens como uma viúva, um taxista e um cabeleireiro.
88º – Revolução dos Bichos (1945) – George Orwell. Editora Globo . Animais de uma fazenda se rebelam contra seus donos e tomam o poder. Ambicionam realizar uma “sociedade” igualitária, mas logo se instala uma ditadura, a dos porcos, que submete os demais bichos como faziam os donos humanos.
89º – O Anão – Pär Lagerkvist. Ed. Farrar, Strauss & Giroux (“Dwarf”, EUA). No século 15, em Florença, um anão conta em um diário como foi encarcerado na torre do palácio por Lorenzo de Médici depois de servi-lo por vários anos. O autor sueco ganhou o Nobel em 1951.
90º – A Tigela Dourada (1904) – Henry James. Oxford University Press (“The Golden Bowl”, EUA). Dividido em duas partes, o livro é um estudo sobre o adultério a partir da ótica de um aristocrata e de sua mulher.
91º – Santuário – William Faulkner. Editora Minerva (Portugal). Um delinquente mata um de seus comparsas e violenta uma jovem, que ele depois obriga a se prostituir. Perseguido pela polícia, ele é inocentado do crime pela mulher, que acusa a um outro, que acaba linchado. A fraqueza da justiça humana, a crueldade e a impotência são alguns dos temas reunidos por Faulkner neste livro, em que a tragédia grega se intromete no romance policial, na observação de André Malraux.
92º – A Morte de Artemio Cruz (1962) – Carlos Fuentes (1928). Ed. Rocco . Escritor mexicano. Inválido e à beira da morte, o rico e poderoso Artemio Cruz relembra o seu passado revolucionário.
93º – Don Segundo Sombra (1926) – Ricardo Güiraldes (1886-1927). Ed. Scipione . De dimensões míticas, obra narra a formação de um jovem por um dos últimos “gauchos” dos pampas argentinos. Obra de forte caráter nacionalista.
94º – A Invenção de Morel (1940) – Adolfo Bioy Casares (1914). Ed. Rocco . Neste clássico da literatura fantástica, o autor argentino cria a história de um homem em fuga da Justiça que chega a uma ilha deserta, onde pouco a pouco realidade e imaginário começam a se misturar.
95º – Absalão, Absalão (1936) – William Faulkner. Editores Reunidos (Portugal). O passado mítico e trágico de Thomas Sutpen, que impôs a destruição à velha aristocracia de uma cidade, é narrado a partir de três pontos de vista diferentes, que se contradizem, se anulam ou se confirmam. O drama familiar, o conflito racial e a decadência sulina expandem-se em um quadro histórico dos maiores construídos por Faulkner.
96º – Fogo Pálido (1962) – Vladimir Nabokov (1899-1977). Ed. Teorema (Portugal). Escritor russo-americano. Após apresentar ao leitor um poema recém-descoberto -”Fogo Pálido”-, o narrador analisa sua estrutura e investiga as motivações que levaram o autor -já morto- a escrevê-lo.
97º – Herzog (1964) – Saul Bellow (1915). Ed. Relógio d’Àgua (Portugal). Em crise existencial, intelectual passa a enviar cartas a figuras fictícias, como filósofos, políticos, além de Deus e a si mesmo. Americano, ganhou o Nobel em 1976.
98º – Memorial do Convento (1982) – José Saramago (1922). Bertrand . Autor português, ganhou o Nobel em 1998. Durante construção de convento em Portugal no século 18, padre idealiza realizar um engenho voador, a “passarola”, o que desagrada a Inquisição.
99º – Judeus sem Dinheiro (1930) – Michael Gold (1893-1967). Editorial Caminho (Portugal). Membro do Partido Comunista, o escritor americano traça um painel do bairro do Lower East Side, em Nova York, durante as primeiras décadas do século, quando começavam a chegar as primeiras levas de imigrantes judeus.
100º – Os Cus de Judas (1980) – Antonio Lobo Antunes (1942). Ed. Marco Zero . Escritor português. A obra trata de forma sarcástica e irreverente a ditadura salazarista dos anos 70 e as guerras pela libertação das colônias portuguesas na África.

Primavera…

Estes dias de primavera
me deixaram irriquieto.
Encheram-me de ansiedade
por algo que me é desconhecido.
Queria poder andar pelos campos
e crescer com as flores…
Kahlil gibran

“Um país

se faz

com homens

e livros “

José Bento Monteiro Lobato

(Taubaté, 18 de abril de 1882— São Paulo, 4 de julho de 1948)

foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX.

 

 

 

 

 

 

Amor

Ela: Você me ama mais do que tudo?
Ele:
Amo.
Ela:
Paixão, paixão?
Ele:
Paixão, paixão mesmo.
Ela:
Mais do que tudo no mundo todo?
Ele:
No mundo todo e fora dele.
Ela:
Não acredito.
Ele:
Faz um teste.
Ela:
Eu ou fios de ovos.
Ele:
Você, fácil.
Ela:
Daqueles com calda grossa, que a gente chupa o fio e a calda escorre pelo queixo.
Ele:
Prefiro você.
Ela:
Futebol.
Ele:
Não tem comparação.
Ela:
Você esta caminhando, vem uma bola quicando, a garotada grita “Devolve tio!” e você domina, faz dezessete embaixadas e chuta com perfeição.
Ele:
Prefiro você.
Ela:
Internacional e Milan em Tóquio pelo campeonato do mundo, passagem
e entrada de graça.
Ele:
Você vai junto?
Ela:
Não.
Ele:
Pela televisão se vê melhor.
Ela:
Faz muito calor. Aí chove, aí abre o sol, aí vem uma brisa fresca com aquele cheiro de terra molhada, aí toca uma musica no rádio e é uma nova do Paulinho. É Sexta-feira e a televisão anunciou um Hitchcock sem dublagem para aquela noite… e o Itamar está dando certo.
Ele:
Você.
Ela: Voltar a infância só pra poder pisar na lama com o pé descalço e sentir a lama fazer squish entre os dedos.
Ele:
Você, longe.
Ela:
A Sharon Stone telefona e diz que é ela ou eu.
Ele:
Que dúvida. Você.
Ela:
Cheiro de livro novo.
Solo de sax alto. Criança distraída. Canetinha japonesa. Bateria de escola de samba. Lençol recém-lavado. Hora no dentista cancelada. Filme com escadaria curva. Letra do Aldir Blanc. Pastel de rodoviária.
Ele:
Você, você, você, você, você, você, você, você, você e
você, respectivamente.
Ela:
A Sharon Stone telefona novamente e diz que se você se livrar de mim ela já vem sem calcinha.
Ele:
Desligo o telefone.
Ela:
Fama e fortuna. A explicação do universo e do mercado de commodities, com exclusividade. A vida eterna e um cartão de credito que nunca expira.
Ele:
Prefiro você.
Ela:
Uma cerveja geladinha. A garrafa chega estalando. No copo, fica com um quarto de espuma firme. O resto é ela, só ela, dizendo “Vem”.
Ele:
Hummm…
Ela:
Como, hummm? Ela ou eu?

…. Silêncio de 5 segundos …

Ele: Qual é a marca?
Ela:
Seu cretino!

” O que é belo não depende do que se vê, nós somos os pintores que escolhemos as cores, pra iluminar nosso sorriso e colorir nossos amores.”
I.Volpi

O amor

O Amor (Fernando Pessoa)

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr’a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…