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“E o tempo passou.

E, como todo mundo,
o menino maluquinho cresceu.

Cresceu
e virou um cara legal!

Aliás,
virou o cara mais legal
do mundo!

Mas, um cara legal mesmo!

E foi aí que
todo mundo descobriu
que ele
não tinha sido
um
menino
maluquinho

ele tinha sido era um menino feliz!”

Ziraldo: O Menino Maluquinho

 

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Essencial…

“Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo.

É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial.”

Rubem Alves

Van Gogh…

“O que sou eu aos olhos da maioria das pessoas? Uma não entidade, ou um homem excêntrico e desagradável – alguém que não tem e nunca terá posição na vida, em suma, o menor dos menores. Muito bem, mesmo que isso fosse verdade, devo querer que o meu trabalho mostre o que vai no coração de um homem excêntrico e desse joão-ninguém.” – Carta de Vincent ao irmão Théo (21 de julho de 1882).

Vincent Willem Van Gogh foi um pintor holandês nascido em 30 de Março de 1853, considerado um dos artistas mais influentes dos últimos tempos, embora seu reconhecimento tenha se dado apenas depois de sua morte. Enquanto vivo vendeu apenas um quadro – “O Vinhedo vermelho”. Van Gogh nunca imaginou a fama que viria a ter.  Com a saúde mental debilitada e acessos de loucura, pôs fim a própria vida em julho de 1890 aos 37 anos.
Imagem: © Vincent Van Gogh, Auto-Retrato, (Wikicommons).

Tempo…

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“Esse tic-tac dos relógios

é a máquina de costura do tempo

a fábricar mortalhas.”

Mário Quintana

Entardecer…

Wet feet of a couple on a dock --- Image by © Ghislain & Marie David de Lossy/cultura/Corbis“Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.”

Trecho do livro Carta a D.,  André Gorz
Image by © Ghislain & Marie David de Lossy

Verão…

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“Como hei de comparar-te a um dia de verão?
És muito mais amável e mais amena:
Os ventos sopram os doces botões de maio,
E o verão finda antes que possamos começá-lo:
Por vezes, o sol lança seus cálidos raios,
Ou esconde o rosto dourado sob a névoa;
E tudo que é belo um dia acaba,
Seja pelo acaso ou por sua natureza;
Mas teu eterno verão jamais se extingue,
Nem perde o frescor que só tu possuis;
Nem a Morte virá arrastar-te sob a sombra,
Quando os versos te elevarem à eternidade:
Enquanto a humanidade puder respirar e ver,
Viverá meu canto, e ele te fará viver.”

Sonnet 18, William Shakespeare no livro “Fair Youth”
Imagem “Campo de Trigo ao Sol” – Van Gogh

Quando vier a Primavera…

dente

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”
Heterónimo de Fernando Pessoa